Nova Perspectiva

26 de outubro de 2016

Só não esquece de nós, moreno


Vem cá, moreno. Pega um drink e senta aqui, deixa eu te lembrar como a gente começou. Deixa eu te contar que os meus dias se tornaram melhores desde que eu esbarrei contigo naquele corredor. Eu que já havia perdido a hora, perdi ali também o meu coração. Desde que os teus olhos cor de mel cruzaram com os meus e o teu jeito atrapalhado me roubou a segurança, desde que o teu sorriso sem jeito e voz tranquila me prenderam a ti eu soube que era você.

Vem cá moreno, e deixa eu te contar que passei a semana inteira lembrando dos traços do teu rosto e da tua camisa de listras azul e te procurando em tantos outros carinhas por aí. E percorri as mesmas esquinas tantas outras vezes na esperança de te encontrar de novo. Tão tola acreditava que o acaso merecia uma ajudinha para nos esbarramos mais uma vez.

E, quando já havia desistido de te procurar, num daqueles dias em que tudo dá errado e você só quer ir para casa esquecer das horas debaixo do chuveiro, eu te achei novamente. Como quem também parecia procurar por mim, você sorriu. Com um daqueles sorrisos capazes de conquistar o mundo – conquistou o meu, e fez dele nosso. Então, brincou com a minha pressa, me convidou para um café. E foi ficando, mudando a minha rotina, bagunçando a minha casa e colocando em ordem a minha confusão. Foi ficando e me ensinando a fazer pão de queijo e aquele teu doce preferido. Foi ficando e me ajudando a escolher os papéis de parede do quarto e o vestido para usar no jantar com os teus pais. Foi ficando e me mostrando as tuas séries favoritas e a tua coleção de camisas de futebol. Foi ficando e colocando as nossas fotos no mural da sala e no meu coração. Foi ficando e se entregando e me amando.

Ainda lembra, moreno? Ainda lembra do nosso primeiro beijo? Do primeiro ‘Eu te amo’? Eu lembro. E te lembro, se quiser. E conto de novo e novamente e quantas vezes for preciso. Ah, moreno, não precisa lembrar das datas - eu te confesso que também esqueço as vezes, e nem das viagens, muito menos das brigas, talvez só das reconciliações e do quanto eu te quero comigo, e do quanto o teu colo me faz bem, e que eu amo tudo o que há em você, do teu romantismo ao teu mau humor matinal. Eu te peço, moreno: Só não esquece de nós.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.