Nova Perspectiva

5 de outubro de 2016

Sempre vai ter alguém pra amar a gente

Eu tinha muito medo de ficar sozinha, por isso fui me diminuindo numa relação que já não fazia mais sentido de existir. Eu tinha medo de que ninguém mais me olhasse, de que aquela fosse a última oportunidade deu ter alguém pra dividir os dias, de que se não fosse ele também não seria mais ninguém. Eu tinha medo de que a solidão fosse muito pior do que estar com alguém só por estar, por isso fui ficando e engolindo a vontade de sair correndo pra longe daquela história.

Eu achava que aquela era a minha única opção, então eu aceitava e sorria e fingia que estava feliz. Eu precisava estar. E dai que ele já não me dava mais flores e nem comprava os meus chocolates favoritos ou me fazia surpresas de vez em quando? E dai que ele já não falava mais o quanto eu era bonita e nem fazia meu coração saltar até as nuvens só de me olhar? E dai que a gente já não se interessava mais pela vida do outro e as coisas já não estavam mais tão boas? E dai que o amor tinha acabado? O importante era que ele estava ali, o que eu não via, ou não queria ver, é que mesmo sem querer eu já estava tendo de brigar com a solidão.

Não tem nada pior do que estar sozinha, mesmo estando com alguém. E eu tava. Não fazia sentido nenhum continuar infeliz por medo de ser infeliz. Eu percebi isso no dia em que ele pegou as coisas pra ir embora e a casa não ficou tão grande, pelo contrário, ela parecia, pela primeira vez em anos, do tamanho certo. Do meu tamanho. Eu descobri que eu mesma podia me fazer companhia, que eu podia me convidar pra jantar e pra ver um filme e pra visitar aquela exposição que eu tava louca ver e ninguém mais queria ir. Eu podia me chamar pra um sorvete ou pra passear no shopping ou pra me divertir numa festa. E foi o que eu fiz.

Conheci lugares novos e pessoas novas e sabores novos, fiz amigos diferentes, enchi a cara com bebidas estranhas, gorfei no carro de desconhecidos e me dei conta de que eu não precisava de ninguém comigo pra aproveitar nada daquilo. Eu podia ser feliz sozinha. Feliz de um jeito que eu não era fazia tempo. Eu voltei a estar viva depois de tanto tempo insonsa. Eu voltei a sentir o sangue escorrendo pelas minhas veias e as artérias pulsando pelo meu corpo. Voltei a ser eu e a ser minha. E descobri que sempre vai ter alguém pra amar a gente, ainda que sejamos nós mesmos.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.