Nova Perspectiva

9 de outubro de 2016

Porque a fé no amor não vive de Brad Pitt e Angelina


Nem de Fátima e William. Nem de Joelma e Chimbinha. Nem de casal nenhum. Desculpa. 

Esse ano tem sido um ano polêmico ao se tratar de divórcios. Casais, juntos há anos, queridos pela mídia e idolatrados como par por milhares de pessoas, anunciaram rompimento, um após o outro. Eu vi piadas (brasileiro não tem jeito mesmo), boatos, especulações, indignação... Mas, entre tantas coisas, eu vi muita gente dizer que não acreditava mais no amor. Alguns, brincando, outros, abalados de fato. Mas, seja brincadeira ou não, essa frase me fez pensar muito, ao ponto de escrever esse texto pra questionar: O que é que alimenta a nossa fé no amor?

A gente é idealizador demais. A Disney destruiu o nosso senso de amor real. A necessidade de viver de aparência encheu a nossa timeline de fotos de casais que, offline, não se suportam mais, mas na foto e na legenda se tornam referência de romantismo. A nossa carência de encontrar perfeição, fez a imperfeição - real e inevitável - chocar as nossas crenças. Se não é como imaginamos, nos tornamos céticos. A gente condiciona a existência. A gente só acredita no que inventou. Que pena.

Eu não estou escrevendo esse texto pra dizer que todos esses casais não se amaram. Pelo contrário. Talvez, tenham se amado até demais.  O que eu quero dizer é que, mesmo que o amor tenha sido real, a perfeição nunca foi. E se você firmou a sua esperança nela, meu amigo, eu sinto muito.

Na tela da TV todo mundo é lindo. Com blush,  pó de arroz e mãos dadas no tapete vermelho, todo amor é fácil. Mas, quando não tem tapete, quando não tem palco, quando não tem flash, meu bem, todo mundo é sujeito ao mesmo cotidiano, e precisa dos mesmos cuidados e manutenções.

Parece difícil imaginar a Angelina Jolie xingando o Brad Pitt por causa de uma mensagem no celular. Parece surreal pensar numa DR da Fátima Bernardes e do William Bonner por causa da tampa da privada levantada. Olha a cara deles sorrindo nos comerciais da globo. Olha a boca dessa mulher pra ter ciúme de alguém.

O problema é que a gente eleva seres humanos, como nós, a um patamar irreal, por causa de status, fama, ou dinheiro. Adotamos cenas de filme, fotos de eventos chiques e algum textinho de efeito como referencial. Depositamos nossa fé e esperança em carne e osso e aparências.

Tem relacionamento terminando e começando todo santo dia. Agora mesmo, enquanto você lê esse texto, deve ter um casal brigando e batendo portas, dizendo que acabou, e outras quinhentas alterações de status no facebook para "relacionamento sério". Mas ninguém perde a fé no amor porque a dona Joana, do mercadinho da esquina, foi largada pelo marido depois de 15 anos de casamento e dois filhos. Ninguém perde a fé no amor porque a amiga terminou com o namorado depois de 7 anos e um cachorro. Ninguém. A gente só se abala pelo que exalta.

O amor não deixa de existir porque alguns relacionamentos que você viu na tela da TV e idolatrou não deram certo. O amor não tem culpa se o Johnny Depp bateu na esposa. (Aliás, ele - o amor -  não tem nada a ver com isso).  O amor não deixa de existir porque pessoas não souberam como cultivá-lo. O amor não merece perder o seu crédito, porque foi reduzido a sentir e parecer, e não fazer e ser.

Só amor não é o suficiente. E, talvez, essa seja a maior lição que eu te traga nesse texto.

Não adianta amar e não expressar. Não adianta amar e não ser gentil. Não adianta amar e não perdoar. Não adianta.

A fé sem obras é morta, o amor, também.

Tem muita gente que se ama, mas não fica junto, porque amar vem num pacote de milhares de outras regras de convivência que precisam ser acertadas. E tem muita gente exaltando a palavra "amor", mas rejeitando o verbo "amar", que exige ações, mais do que palavras e status bonitinhos. 

Amar, exige um monte de renúncia pras nossas escolhas e manias egoístas. Amar, exige respeito e dedicação diária. Amar, exige dar água pra uma flor cultivada a dois que, como qualquer outra, se não for regada, murcha.

O amor não vive só de projeção de perfeição e relacionamentos sem falhas. O amor não precisa de gente, a gente é que precisa dele. O amor não acaba só porque alguém acabou. E a sua fé nele, também não deveria.

O único "amor" que deve perder a fé das pessoas diante dessa sequência de rompimentos, é o amor idealizado, preguiçoso e irreal estampado na capa da "Caras". O de verdade, não.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.