Nova Perspectiva

19 de outubro de 2016

Larga tudo e vamos juntos


Eu sou do mundo, você sabe... sempre soube. Eu te avisei desde o início pra tomar cuidado comigo, porque eu nunca fui de criar raízes em lugar nenhum. Eu nasci solta, no mundo, tendo de quintal o asfalto e muita vontade de correr por ai com destino incerto. Sei que fujo um pouco desse padrão de mulher que quer casar e ter filhos, mas eu te contei que meu sonho era fazer um mochilão, conhecer os desertos, os oceanos e andar pelos quatro cantos desse planeta. 

Eu não te prometi mais do que eu podia cumprir, fui sincera o tempo todo. Expus meu caos, minha desordem, confessei minha inconstância. Eu te falei todas as minhas verdades, te mostrei quem eu era, e mesmo sendo tão diferente você quis que eu ficasse e eu fiquei, mas a gente sabia que a minha estadia tinha prazo de validade.

Não adianta insistir preu ficar um pouco mais, nem preu esperar até semana que vem ou o fim do ano ou só até amanhã. Eu vou agora. Quando eu quero algo, eu vou lá e faço, não fico enrolando, criando desculpas ou deixando pra depois, você já devia saber disso. Eu gosto da gente, mas eu te alertei que eu nunca me contentei com a rotina, não me basto em viver num sobrado e ter um jardim pra cuidar. Isso é até que bem poético, romântico, mas essa não sou eu. Preu ser feliz preciso de muito mais.

Eu te falei que uma hora cê corria o risco deu cansar de ficar e querer partir, não falei? Porque eu sou assim, sempre fui. Não sirvo pra ficar engaiolada, sou desses pássaros que morrem depois de ter as asas podadas. Talvez seja culpa do meu signo, talvez por conta do meu ascendente, mas pode ser também por causa da posição em que a lua estava no dia em que eu nasci, sei lá, tanto faz o motivo, mas alguma coisa me fez ser assim: livre, leve. Eu não te enganei, nem prometi mais do que eu podia te dar. Eu te disse que era intensa, mas que isso também têm o seu lado ruim. Eu me jogo de corpo e alma naquilo que eu quero, não penso, eu vou. E agora eu quero ir.

Já arrumei minha mala, não sei qual vai ser o meu destino, ainda não pensei se vai ser perto ou longe, nem por quanto tempo eu ficarei distante. Pode ser que eu nunca mais volte ou que dia desses eu apareça por aqui de novo e a gente tome um daqueles cafés bem amargos que só você sabe fazer com um pedaço de bolo de fuba. Talvez eu te esqueça pelo caminho quando a bagagem ficar pesada demais. Ou você me esqueça antes quando suas noites frias implorarem por outra companhia, quem sabe? Mas não espere por mim porque eu não posso te garantir como é que as coisas vão estar amanhã. Ninguém pode. A não ser que você mude de ideia e desista da sua vidinha planejada. Tem espaço no carro e na minha vida, meu coração já é seu. 

Faz suas malas que ainda da tempo. Eu to indo e se você também quiser a gente pode ir junto.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.