Nova Perspectiva

21 de outubro de 2016

Fica tranquilo, eu vou te esquecer


Clique aqui pra ouvir Skinny love - Birdy enquanto você mergulha nesse textinho.

Hoje eu quis te ligar umas dez vezes, quis te contar sobre algo bobo que vi na rua umas doze, quis perguntar se tudo estava bem, pelo menos umas quinze vezes durante meu dia. Mas tudo bem, porque hoje a quantidade de vezes foi menor que ontem. E eu sei amanhã serão menores ainda. Logo elas chegarão à zero. Logo eu verei uma cena engraçada no ponto enquanto espero o ônibus e só vou rir, não vou querer te contar, logo eu não vou mais me importar se você está bem ou não. Logo eu não vou mais querer saber de você. Talvez não seja tão logo, mas vai acontecer, nós dois sabemos que vai.

Nosso amor nunca foi muita coisa, não era do tipo cinematográfico, não daria um bom filme, nem ao menos um bom cartaz, não daria uma musica boa, acho que tudo que ele viraria seria um texto qualquer, como esse que estou escrevendo, que você provavelmente não vai ler, e acredite eu não estou escrevendo para você ler. Esse texto não é para você, na verdade esse texto é pra mim, porque eu estou tão cheia de você, que preciso me esvaziar aqui. Antes que eu te ligue, antes que eu não resista e queira saber a todo custo se você está bem, quando na verdade eu não preciso saber nada disso. Eu disquei seu numero e pensei em apertar o botão pra chamar, mas eu falaria o que afinal? Tudo já foi dito, e na verdade nem havia muito pra dizer, porque como eu disse nosso amor não foi lá essas coisas. Eu sempre soube que não era o tipo de amor que duraria para sempre, e se quer saber, sempre soube também o tipo de amor que eu mereço, sempre soube que queria alguém que me tirasse do chão e não tirasse meu chão.

Alguém que me deixasse sem ar com seus beijos e suspiros, e não por me deixar decepcionada, não é esse amor que eu quero, e muito menos mereço. Então eu não apertei o botão, e não vou apertar, sei que posso voltar a discar o número, sei que posso acordar de madrugada com uma saudade enorme, que vai tirar meu ar e me fazer querer de todo jeito ouvir sua voz, mas mesmo sonolenta eu sei que não vou apertar o botão, porque eu te guardei numa caixinha, em cima do guarda roupa, e você vai ficar lá, até que eu me sinta confortável para colocar você para doação, e não precisar ver você por ai esbarrando nas minhas coisas. Talvez você me ache egoísta, imatura, alias você acha muitas coisas sobre mim e sempre tentou me convencer de que elas eram verdades absolutas, eu deixei que você me fizesse mal até onde eu achava que poderia aguentar. Até que eu percebi que ninguém pode me fazer mal, que ninguém nesse mundo deve me fazer sentir pena de mim mesma, ou me fazer acreditar que eu sou algo que não sou.

Então eu só quero deixar estampado aqui, nessas linhas, que eu vou te esquecer, você vai sair dos meus pensamentos, eu não vou mais querer te ligar, nem saber como você está, ou ao menos ver você pela rua. Eu vou parar de procurar seu rosto nos rostos que encontro por ai. Eu não vou ficar balançada quando sentir seu perfume em outra pessoa. Eu vou esquecer você. Os dias me farão esquecer você, fará com que a saudade encontre o rumo de casa, fará com que eu me encontre novamente e descubra quem eu sou. Os mesmos dias que me fizeram se apaixonar por você, me farão esquecer você. Sei que você não se importa, e na realidade não precisa se importar, eu só queria deixar registrado aqui, eu vou esquecer você. Amanhã talvez eu esbarre em você por aí, mas minhas pernas não irão tremer minhas mãos não suarão frio, minha postura não vai mudar talvez eu diga um ‘oi’ e continue andando. Porque eu estou bem perto de entender que você não é o todo amor do mundo e com toda certeza não é todo o mundo que o mundo reserva pra mim. Eu não vou deixar de acreditar no amor, só vou aceitar que se estava me fazendo tão mal, era qualquer coisa menos amor. Eu vou aceitar que você não precisa seguir esse caminho comigo, porque o caminho é apenas meu, e cabe á mim segui-lo.

As pernas ainda estão bambas, a vontade de ligar vem de hora em hora, mas eu vou continuar seguindo, com as pernas trêmulas, a garganta seca, conforme toca uma musica que eu te mostrei logo no começo de tudo, e o telefone que parece ser uma ponte que me liga até você. Eu vou seguir, até as pernas ficarem firmes novamente, até a música voltar a ser só melodia aos meus ouvidos, até o telefone voltar a ser apenas um objeto qualquer, eu vou seguir, até você se tornar apenas mais nessa multidão.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.