Nova Perspectiva

30 de outubro de 2016

​ Eu sou uma dessas mulheres românticas

Li mais de duas vezes todos os livros do Nicholas Sparks e tenho mania de desenhar coraçõeszinhos no caderno enquanto sonho acordada com alguém que talvez nem saiba o meu nome. Choro com qualquer cena mais fofinha de filme ou de série e, se bobear, até com os comerciais mais toscos que passam na televisão. Fico criando cenas e diálogos e quando dou por mim já montei até meu casamento com aquele carinha que eu ainda to conhecendo.

Acredito em contos de fada e amores de vidas passadas e nesse papo de metade da laranja. Não é que eu espere pelo príncipe encantado chegando num cavalo branco ou por um cara perfeito que vai realizar todos os meus desejos e fazer todas as minhas vontades, mas eu aguardo por alguém que, mesmo cheio de defeitos e até meio birrento, vai vir e tirar o meu mundo do eixo e me deixar com a cabeça nas nuvens e o coração batendo mais rápido e eu nem vou querer me preocupar em entender como é que ele faz isso. Ele vai fazer e isso vai bastar.

Sou uma dessas românticas antigas, sabe? Que sonham em casar de véu e grinalda e ter filhos e morar numa casinha com cerca branca e um quintal cheio de rosas pra cuidar. Que não conseguem ficar com os pés no chão e tão sempre esperando por algo a mais. Eu quero viver uma dessas histórias que razão nenhuma conseguiria explicar, que facilmente se tornaria livro e vendaria a balde porque no fundo, no fundo, todo mundo espera por um amor assim.

Gosto dos clichês, de receber flores, de escrever cartas e textos apaixonados e andar de mãos dadas. Gosto daquelas declarações bobinhas, de surpresas no meio do dia e de ligações que demoram uma eternidade pra acabar. Gosto de mensagens longas, de saber como é que foi o dia, de dividir os problemas, as angústias. Gosto de gente profunda, em que eu entre e possa me afundar. Gosto de olho no olho, boca na boca, de ficar pertinho, abraçadinho e dormir de conchinha.

Eu sei que soa um pouco piegas assumir que em pleno século XXI eu prefiro assistir ao pôr-do-sol sob uma toalha de piquenique à perder minha noite enchendo a cara na balada. Nada contra quem prega a independência emocional e o desapego, mas eu sou do time que quer envelhecer ao lado de alguém que mesmo depois de 50 anos consiga manter as borboletas vivas dentro do meu estômago e nem adianta vir com esse papo de que felizes para sempre não existe, porque eu sou feita de amor no corpo todo.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.