Nova Perspectiva

22 de outubro de 2016

Ele é de virgem


Difícil é fazer esse cara sair do eixo, não é qualquer ventinho que consegue balançar suas estruturas. É centrado de um jeito que até irrita, dá raiva, a gente fica se perguntando como é que consegue? Ninguém entende. O virginiano tem aquele pose serena, o olhar calmo, tá sempre firme, tem os dois pés bem colados ao chão e só se permite ir parar nas nuvens quando percebe que vale a pena. Mas quase nunca vale. Odeio joguinhos, palavras perdidas e conversas nas entrelinhas, é que ele faltou nas aulas de atuação e só aprendeu a ser transparente. Precisa da verdade como o mundo precisa do oxigênio. Sem ela, ele morre.

Ele é direto, se quer, quer, mas se não quer, esquece! Não se força a fazer nada do que não tem vontade, respeita, principalmente, seus desejos. Vomita o que pensa sem nem se preocupar se isso vai pegar em alguém. Tanto faz se os outros não estão preparados pra tanta sinceridade, o importante é não se calar! Não consegue engolir suas opiniões, engasga, sufoca, precisa por pra fora, expor, gritar. É todo alma. Sente mais do que qualquer um. Sabe aquele tal do sexto sentido? Nele é apurado. Parece que percebe quando as coisas vão acontecer, pressente. Consegue notar quando a gente muda de humor sem que tenhamos de abrir a boca. Ele sabe, sei lá como, mas sabe. Observa, analisa, nada escapa dos seus olhos.

É de lua. Tem dias que quer sair, se perder no mundo pra ver se consegue se encontrar por ai, lista baladas, barzinhos e junta a galera toda. Tem dias que precisa estar envolto da multidão. Mas também há aqueles em que tudo o que ele deseja é deitar no sofá, ligar a televisão e passar o dia aproveitando o som da solidão. Quer praia, sol, sossego e, ao mesmo tempo, cidade grande, caos e buzina... Vai entender esse cara. Os virginianos são assim, inconstantes, misteriosos, um quebra cabeça de mil peças que a gente não consegue acabar nunca. É gênio forte, cabeça dura, faz birra, bate o pé, teima. Gosta de ser o dono da razão. E na maioria das vezes é.

Ele chega como quem não quer nada e, de repente, quer tudo. E você dá, porque é difícil resistir a esse cara. Ele tem uma malícia que é só dele, que encanta, vicia. É até difícil de entender o que é que esse cara tem de tão especial, mas os virginianos são assim, interessantes, atraentes, e a gente nem sabe o porquê. Ele não vai se apaixonar por você de primeira, talvez nem de segunda ou terceira. Pode ser que ele nunca se apaixone, que suma daqui três meses e te deixe sem entender o que foi que aconteceu. É assim, intenso, não consegue ficar quando não se sente em casa e não tem medo de partir. Gosta de coisas novas, gente nova.

É um desafio entrar no coração desse cara, não adianta chegar com toda sede ao pote, é preciso ter calma, paciência, ele se abre aos poucos. Se você fizer uma grande declaração, vai espantá-lo, ele vai se assustar, querer fugir. Ele gosta dos detalhes, da mensagem de bom dia, de um jantar romântico, de se sentir cuidado. Não o sufoque, nem tente prende-lo. Tem aversão a gaiola! Nasceu livre. E é preciso saber respeitar isso. Ele não é um cara qualquer, você vai perceber isso rápido, ele é diferente, é especial, é virginiano.

12 comentários:

  1. Parabéns pelo texto, ficou maravilhoso!

    Atenciosamente,
    Um virginiano

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  2. Concordo parcialmente, pois sou virginiano e uma veze já me joguei de cabeça em uma relação, ao qual estou até hoje e não me arrependo nem um pouco.

    Entretanto, parabéns pela iniciativa. Keep working :D

    Att. Virginiano.

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  3. Parabéns!!! Minha melhor autobiografia!!!!

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  4. Morto aqui porque eu sou esse cara ai do texto, Parabens pelo texto.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.