Nova Perspectiva

12 de setembro de 2016

Você tá pronto pra me amar?


Eu não vou mentir pra você moreno, não sou uma pessoa fácil. Não é qualquer um que depois de conseguir entrar em mim e se dar conta do caos que existe tem coragem de ficar. E tudo bem se você quiser ir embora, eu também iria. Eu também fugiria pra longe quando percebesse onde é que eu estou me enfiando. Por isso estou te contando antes.

Sou bagunça da cabeça aos pés. Uma coleção de histórias que não deram certo e eu não soube como me livrar. Sou inconstante também, hoje eu amo, amanhã quem sabe? E isso leva qualquer um a loucura. Eu mesma acho que não tenho mais solução, enlouqueci brincado de ser eu, mas quem disse que ligo? No fundo gosto de ser assim, gosto de poder ser isso e depois aquilo e depois aquilo outro sem ter obrigação nenhuma de me manter imutável. Gosto de saber que, de alguma forma, eu posso deixar qualquer um doidinho tentando me acompanhar. 

Acordo de cara feia, mau humorada e sem vontade nenhuma pra conversar, pra mim o dia só começa depois de um bom gole de café, bem amargo, por favor, assim como eu. Mas logo em seguida estou toda falante, como se fosse outra pessoa. E pra ficar comigo você tem de saber amar as duas. Tem de amar aquela que não quer papo, que pede espaço, que se desenrola dos seus abraços e vira a cara quando cê fala de amor. E a outra, sedenta por atenção, que coloca o mundo do avesso só pra te roubar um beijo e que não mede esforços pra te provar o que sente.

Eu sou teimosa, mandona e birrenta, quero tudo do meu jeito, na minha hora e se não for pra ser assim eu nem tento. Odeio tudo que é metade, meios termos, meias palavras, meios sentimentos. Pra mim tem que ser inteiro, alma, corpo, coração. Sou oito ou oitenta, tudo ou nada, por isso não me venha com mais ou menos, pode ser, quem sabe, talvez. Ou é ou não é. E ponto final. Não sei fingir sentimento, não sei fazer joguinho, nem enrolar pra dizer o que eu quero. Vou logo vomitando tudo em cima de quem estiver pela frente e que se dane no que vai dar porque eu só espero é que de em alguma coisa mesmo. Ainda que seja em nada.

Se eu quero uma coisa vou até o final por ela, luto até contra o destino pra conseguir, mas se eu deixo de querer, ah moreno, ai não tem santo que me faça continuar. Não tenho medo de abrir mão de algo quando começo a me sentir presa, não tem nada que eu respeite mais do que as minhas vontades, eu não me forço, nem tento me forçar, a ficar quando eu quero ir. Não troco a minha paz interior por nenhuma comodidade, não me sustento em ter uma vidinha mediana só pra não correr alguns riscos. Eu me jogo, porque gosto da adrenalina, do vento batendo na cara, do estômago revirando. Nada do que não tira os meus pés do chão vale a pena.

Sou furacão e garoinha no mesmo dia. Arco-íris e tempestade. Sol e tsunami. Um conjunto de desastres naturais e manhãs de domingo que não é qualquer um que entende. Não espero que você me decifre, nem que tente desvendar meus mil e um mistérios. Também não quero que você tente se acomodar em mim. Quero que você chegue desabando tudo, principalmente as minhas certezas. Quero que cê mude os móveis de lugar e me faça ver que, de repente, vale a pena ficar por alguém, vale arriscar e deixar de lado tudo aquilo que eu acredito sobre independência emocional. 

Quero que cê saiba que não é todo mundo que consegue se adaptar a mim, que muita gente já passou por aqui e saiu logo em seguida porque eu sou difícil mesmo. Não sou pra qualquer um. E nem quero ser. Quero que você entenda que de vez em quando eu vou ameaçar ir embora, vou pegar minhas coisa,s botar na mala e abrir a porta e que é nesses momentos que eu preciso que você me segure firme e me faça acreditar que eu não preciso ter medo da gente. 

Se for pra entrar, esteja pronto pra me amar, mas também pra aceitar todos os meus problemas, as minhas mudanças de humor e confusões. Esteja pronto pra entender o meu jeito e, principalmente, amá-lo sem tentar me consertar. Só assim eu vou ter certeza de que é pra ser. E vou fazer que seja.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.