Nova Perspectiva

22 de setembro de 2016

Somos mais do que grandes amigas


Você sempre foi bem mais decidida do que eu, desde pequena cê sabe exatamente o que quer e bate o pé no chão até conseguir, cê nunca foi do tipo que se cansa no primeiro tombo e desiste na minha primeira curva; Cê vai até o fim! Eu sempre te admirei por isso, pela sua garra e a sua força de continuar mesmo quando o caminho é mais difícil do que você tava imaginando. Já eu vivo dando voltas nas minhas incertezas, quero isso e depois aquilo e aquilo outro e assim vai. Isso te deixa maluca, eu sei. Não ligo pra desistir na metade, se não é mais o que eu quero. E você não entende como eu posso deixar de querer as coisas tão rápido. Mas eu nem ligo, sei que no fundo não teria a menor graça se a gente não fosse tão diferente uma da outra.

Você é bem mais pé no chão e realista. Analisa tudo antes de se jogar pra poder ter calculado exatamente onde é que vai cair. Não tira os pés do chão pra nada, parece que nasceu grudada na realidade, também não suporta errar, como se tivesse obrigação de saber de tudo. Você não gosta muito de ser surpreendida, detesta tudo aquilo que sai do seu controle. Eu, por outro lado, gosto de viajar, e se deixar vou até a lua sem sair do lugar, tenho a cabeça nas nuvens, como cê gosta de dizer. Eu me atiro sem nem me preocupar com o que pode acontecer e se eu quebrar a cara? Tudo bem, eu sempre tenho você pra me ajudar a fazer toda dor passar. Não penso pra arriscar, enquanto você analisa duas, três, quatro vezes tudo. Cê é água e eu sou óleo. Você é ácida e eu sou doce. E a gente é uma mistura que não tinha como dar certo, mas deu. E muito.

Você é toda segura e desapegada e diz que não cai casar nunca porque Deus que me livre ter que ficar cuidando de marido. Eu queria ser como você, me entregar menos e sentir menos e saber quando vale a pena abrir a minha alma pra alguém entrar, mas é que eu ainda acredito nos contos de fada e você ri do meu ideal de príncipe encantado. Sonho em construir uma família daquelas bem grandes que enchem a mesa no almoço de domingo. Gosto dos clichês, daquele felizes para sempre bem blasé dos filmes infantis. Você prefere os suspenses, terror, documentário. Cê é exatas, 2+2, certo ou errado, aqui ou ali, enquanto eu sou um completo meio termo, meio de humanas, um misto de poesia com café amargo (por favor). Você é agora, eu sou mais tarde, amanhã ou depois. Eu sou calmaria, você tsunami. E de um jeito meio torto a gente vai se completando.

Se pensarmos bem, nossa amizade tinha tudo pra não dar certo, enquanto cê tá falando A, eu to vociferando um B, mas as coisas nem sempre fazem sentido e a gente mesmo sem ter nada a ver descobriu uma na outra tudo o que faltava dentro de nós. Eu tenho orgulho de você ser assim do jeitinho que é, de te ver lutar pelas suas convicções sem ter medo de colocar a cara a tapa e causar tempestades por onde passa. E você causa. Transforma qualquer brisa em furacão e faz com que os outros fiquem boquiaberta com a sua audácia. Eu tenho orgulho do barulho que você faz, de como sabe tirar todo mundo do eixo montada nas suas certezas. Como eu sei que cê também admira a minha capacidade de estar sempre tentando de novo e acreditando de novo mesmo depois de já ter quebrado a cara tantas e tantas vezes.

Você não apareceu na minha vida à toa. Tenho certeza disso. Eu precisava de você e você de mim. Eu precisava aprender a ser um pouquinho mais confiante e você um pouquinho menos desconfiada, por isso Deus fez os nossos caminhos se cruzarem e a gente se esbarrar e achar uma na outra o que não estávamos achando em nós. Você me ensina todos os dias que de vez em quando vale a pena ir até o fim por algo, e eu te ensino que em algumas situações não tem problema jogar tudo pro alto e sair correndo. E a gente aprende rindo das piadas da outra com um pote de sorvete de chocolate no colo e uma das nossas diversas séries na televisão. Somos mais do que grandes amigas, eu sei, você é a irmã que a vida não me deu, mas eu escolhi pra mim.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.