Nova Perspectiva

4 de setembro de 2016

Só preciso te amar menos


Às vezes me pergunto se podíamos ter dado certo se eu não quisesse tanto fazer de tudo para que desse certo. É uma tendência do ser humano se atrapalhar um pouco quando se deposita muita intensidade ou expectativa em determinada circunstância, seja ela qual for. Existem momentos em que queremos tanto que tudo aconteça como planejamos, que tentamos ser o melhor (e o tempo todo) para algo ou alguém, enquanto, na verdade, precisamos ser apenas quem nós realmente somos, com os nossos defeitos, descasos e desencontros inclusos no pacote. O tempo e o destino são muito mais fortes do que as nossas vontades, mas insistimos em querer afrontá-los e, por fim, estragar o que, na verdade, podia até estar fadado a dar certo – se não fossemos tão afobados a ponto de errar ou ir embora antes que, de fato, desse certo.

Passei madrugadas me incriminando por tudo o que faço por você e me questionando sobre o que devo fazer para que, enfim, “déssemos certo”, e cheguei à conclusão de que a única coisa que ainda posso fazer é: não me preocupar mais com isso. Primeiro porque é preciso, segundo porque não há mais nada a ser feito e terceiro porque, por incrível que pareça, “o nada” (o silêncio) pode ser muito mais poderoso do que qualquer outra demonstração de afeto. – Não é assim que funciona? “As pessoas gostam do que não têm”, “pisa que ele gruda, gruda que ele pisa”, “não seja disponível”, e todo aquele discurso clichê que nós já conhecemos. – Sabemos exatamente qual é o caminho para se relacionar “bem” com a maioria das pessoas de hoje (é só fingir que não está nem aí ou, de fato, não estar nem aí), mas, de repente, passa pela cabeça que talvez elas gostem de se sentir especiais (mas não gostam, não).

Por isso, depois de cartas, e poemas, e músicas, e fotos, e vídeos, e presentes, e planos, e ciúmes, e saudade, e choro, e raiva, e mensagens bêbadas, e áudios na madrugada, e desculpas, e promessas, e vontade de não te deixar ir embora, e vontade de querer ficar pra sempre, e mundos, e fundos, eu mesma massacrei meu coração (antes que você o massacrasse), espremi até sair tudo o que tinha dentro dele. Enxuguei todo o amor que escorria pelas minhas palavras, pelos meus olhos, pelo meu sorriso, pelo meu corpo. Sequei o amor que me afogava e que te ilhava. Tudo isso, não porque eu não queira mais estar com você, mas porque eu preciso de um coração mais leve pra pode estar ao seu lado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.