Nova Perspectiva

15 de setembro de 2016

O dia que eu resolvi partir


Pra falar a verdade, eu não acreditava que esse dia chegaria, muito menos que eu fosse capaz de te dizer essas coisas. Você, com todas as suas dúvidas, tinha apenas uma certeza: de que eu nunca iria embora. Ninguém botou fé, nem eu. Você teve carta branca por muito tempo, muito tempo mesmo. E quer saber uma verdade? Não o culpo pelas inúmeras noites embaladas de lágrimas que passei, quando o coração age, os olhos abrem mão e se recusam a enxergar o óbvio. A verdade é que você prefere madrugadas e pessoas vazias a filmes e cafunés após o amor. As tuas indecisões ora me abriam os olhos, ora semeavam esperanças dentro de mim (quantas vezes bateu em minha porta em plena madrugada com esse sorriso que me despe toda?) Despia, verbo no passado.

Estou indo embora.

Você fez morada aqui dentro, mas a tua casa é o mundo, e só depois que eu aceitei essa condição, consegui seguir. O espaço que antes você ocupava, agora é ocupado por mim mesma.

Há dez meses consigo ouvir o teu nome sem fazer uma retrospectiva dos seus beijos na minha memória. Há dez meses que eu não me importo saber da tua vida, e mesmo que eu venha a saber, só consigo te desejar amor, afinal quando encontramos a paz interior, desejamos o bem, até para aqueles que nos proporcionaram dias nublados.

Se um dia eu te encontrar por aí, já sei o que te dizer: Muito Obrigada! Você me fez perceber que posso ser muito melhor sem você. 

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.