Nova Perspectiva

13 de setembro de 2016

Eu não te esqueci, mas continuo vivendo


Olho o seu travesseiro vazio em cima da cama e tento lembrar quanto tempo faz que ele já está assim, um ano? Dois? Mais? Não lembro direito quando foi que você percebeu que a nossa história tava pequena demais pra você e foi embora, deixando eu e ele - o travesseiro - abraçados na tentativa inútil de satisfazer a saudade do seu corpo. Eu lembro que sangrou e que eu chorei e que achei que não ia superar. Eu lembro que eu quis arrancar o meu coração de dentro de mim e morrer com o vazio que ficou na minha alma, eu lembro que doía descontroladamente ao ponto deu me contorcer no chão da sala. E ainda dói, mas a gente aprende que precisa sobreviver.

Eu não te esqueci, mas precisei jogar pra baixo do tapete a minha vontade de passar os dias e as semanas e os meses na cama sofrendo pelo frio que faz sem teu corpo no meu. Não te esqueci, só descobri como é que a gente sorri com cada parte do corpo dilacerada. Eu não te esqueci, mas aprendi a engolir as minhas lagrimas e a chorar por dentro quando eu sentia o seu cheiro nos outros porque não dava pra desabafar cada vez que eu queria que fosse você. Eu não te esqueci, mas passei a fingir que não te procurava em cada homem e em cada esquina e a cada lugar que a gente costumava ir. Fingi que eu tinha te deixado pra trás junto das bagagens que você esqueceu aqui e nunca mais veio buscar porque ninguém entenderia se eu dissesse que no final de tudo ainda era o seu nome que me tirava do ar.

Eu não te esqueci, mas fui parando de contar os dias em que a campainha não tocou às três da manhã com a sua voz gritando que sentiu minha falta porque numa dessas noites geladas eu me dei conta de que você não ia voltar. Não importava o quanto eu te esperasse e o quanto eu quisesse. E eu tava certa porque cê não voltou nesses dois ou três anos e nunca mais vai chegar com o meu bolo preferido e um vinho barato pra me fazer uma surpresa no meio da semana. Cê nunca mais vai me acordar dizendo que sonhou comigo e que o seu sonho era a nossa realidade e que isso te faz o homem mais feliz do mundo. Você nunca mais vai deitar nesse travesseiro ao meu lado e segurar a minha mão até eu pegar no sono. E ainda assim eu continuo sem esquecer que eu amo você.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.