Nova Perspectiva

13 de setembro de 2016

Eu entendo o Gregorio


De vez em quando eu gosto de fingir que te esqueci, assim só por diversão. Engano a mim mesma dizendo que mais cedo ou mais tarde eu vou cruzar com alguém especial. Não vou. E mesmo que eu cruze, se ele não for você eu não vou nem reconhecer. Eu sei moreno, quando digo isso em voz alta também acho que soa meio pedante demais, um tanto exagerado, insano. E é, fazer o que!? Eu sou romântica, sempre fui.

Não te conheci numa aula de Jazz, nem nos anos 90. Não tivemos tempo de cozinhar coisa alguma juntos. Não vivemos um desses amores que inspiram o resto do mundo, nossa história não saiu no cinema, não ganhou destaque em redes sociais e nem se tornou inspiração pra trilha sonora. No máximo, você ganhou um certo espaço em alguns dos meus textos. Talvez na maioria deles. Mas isso é detalhe. E os detalhes nunca importaram pra nós dois.

Eu to ouvindo a nossa música e olhando a foto que você postou ontem. Cê mudou um bocado moreno. Acho que eu também. E algumas coisas nem fariam tanto sentido se acontecessem hoje. Talvez nós sejamos uma delas. Eu gosto de pensar que a gente é como aquela minha sapatilha de laço que anos atrás eu não tirava do pé, ela foi, por muito tempo, a minha preferida, só que agora não serve mais, mesmo que eu ainda a ache linda, mesmo que me falte coragem de abrir o armário e colocá-la pra fora.

Nós somos como um maldito sapato amarelo que eu usei por meses seguidos até que começou a me dar calo. E dói pensar assim. Dói porque apesar de você ser a primeira pessoa que eu penso quando leio um texto de amor que viralizou na internet, sei que isso não é o bastante preu te enviar uma mensagem dizendo que estou com saudade. Mesmo que eu esteja. E eu to, caso te restem dúvidas. To porque eu ainda não descobri um jeito de te tirar de mim.

Já faz mais de dois mil e quinhentos dias que cê foi embora e quando eu fecho os olhos ainda te sinto aqui. Pode ser que o mais saudável fosse eu procurar ajuda, mas amor nunca foi uma coisa muito lógica. Pensei em te marcar no texto do Gregorio pra Clarice. Juro. Primeiro porque por muito tempo ela embalou as noites que eu passei pensando na gente. Em segundo lugar, porque, assim como ele, eu também sinto uma felicidade profunda em saber que vivi um grande amor. E que ele é você. Independente do que a gente é agora.

Em terceiro, e talvez principalmente por isso, porque quando todo mundo começou a dizer que aquilo não era normal, que depois de tanto tempo ele não tinha que escrever pra ela, que era um tanto doentio, eu quis gritar que o entendia. O amor tem dessas coisas. Sabe? É o que você me faz entender nas madrugadas em que exagero no vinho e conto de você e de nós e de tudo o que deu errado pra um papel rasgado que provavelmente vai parar no lixo na manhã seguinte. Eu quis que o entendessem também, mas é difícil, eu sei.

Pode ser que eles tenham razão, que tenha sido só marketing pro filme deles. Eu mesma pensei que fosse. Mas e dai? Talvez ele tenha feito por merecer como muita gente disse. Talvez ele esteja colhendo o que plantou. Falam que na vida a gente sempre colhe. Talvez não faça sentido nenhum e ele nem entenda como depois de dois anos ainda lembra dela. Eu não entendo como ainda lembro de você. Talvez seja culpa. Pode ser, não pode? Mas talvez seja amor. E, ah Gregorio, se for mesmo, fica tranquilo, você não está sozinho.

2 comentários:

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.