Nova Perspectiva

31 de agosto de 2016

Você foi a maior merda que me aconteceu


Eu poderia listar aqui todas as coisas que durante esses anos eu quis muito só que deram errado, poderia citar tudo aquilo que exigiu que eu me empenhasse ao máximo, mas que não valeu os meus sacrifícios. Eu poderia vir e falar de todas aquelas coisas que me decepcionaram, como o dia em que eu descobri que o Papai Noel não existe ou na vez em que vi a minha mãe bancando a fada do dente no meio da noite. Mas nenhuma delas foi pior do que você. Nenhuma delas me fez querer tanto voltar no tempo pra fazer tudo ao contrário como você fez.

Eu não queria ter te conhecido. E não digo isso com o coração tomado pela mágoa de quem fez muito por quem devolveu pouco, digo com a razão de quem sabe que tudo teria sido bem melhor sem você aqui. Digo com a vivência de quem passou madrugadas em claro esperando por alguém que não vinha, pelos filmes românticos regados com o meu choro mudo durante incontáveis noites de inverno, digo pelas pessoas que eu perdi por medo de perder você sem nem perceber que na verdade eu nunca te tive. Eu não queria que cê tinha tivesse invadido o meu caminho e mudado a minha rota e me prometido o paraíso pra mais tarde me tirar o chão.

Eu poderia sentar aqui com uma xícara de café amargo, como você me ensinou a gostar, e te escrever sobre os tombos que eu já levei nessa vida enquanto eu tentava andar sem tropeçar. E olha que foram vários enquanto eu tentava inutilmente andar com um pé, depois o outro, e o outro, e o outro até que quando eu via lá estava eu toda esmigalhada no chão de novo. Poderia contar numa conversa boba entre uma cerveja e outra de quando eu quebrei a minha perna dois dias antes da viagem de formatura e tive que ficar em casa enquanto todos iam se divertir. Poderia te mostrar as fotos e os sorrisos que eu não pude participar e dizer que nos últimos anos tem sido mais ou menos assim em relação a você.

Eu não sei se algum dia eu cheguei a fazer parte da sua vida, mas sei que num verão você invadiu a minha, e que depois disso nada nunca mais foi igual. Cê tirou as minhas coisas de lugar e eu deixei porque eu achei que não tinha problema, afinal, você estaria aqui pra contar onde é que elas estavam, mas ai cê foi embora e eu nunca mais consegui colocá-las de volta. E só agora eu consigo enxergar a besteira que eu fiz, só agora eu me arrependo de ter confiado nas suas palavras, de ter acreditado no seu discurso bonito sobre amor livre e destino. Eu me arrependo de ter cedido cada canto da minha vida pra você porque cê nunca valeu a minha desordem.

Eu poderia te convidar pra passar um tempo comigo, te servir uma taça de vinho, ligar o som e falar de todas as coisas que eu apagaria de mim, poderia desabafar sobre tudo o que me fez mal, tudo que entalou na goela e eu nunca consegui engoli, poderia gritar aquilo tudo que já me fizeram num ato impulsivo de colocar pra fora, poderia só passar a tarde falando e falando e falando e mesmo assim nenhuma história que eu pudesse te contar seria tão ruim quanto a sua passagem pela minha vida foi. Nem mesmo quando eu perdi o ar numa apresentação e quase morri. Nada te superou, porque cê é a maior merda que aconteceu na minha vida.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.