Nova Perspectiva

14 de agosto de 2016

Você costumava me ler tão bem


Venho tentando me desprender de você ao longo de todo esse tempo, mas parece que nada é o suficiente para deixar o passado adormecido e quieto. Sobrevivo aos dias mais difíceis com uma pontada de nostalgia, e até mesmo no silêncio das noites menos chuvosas, ouço através de palavras distorcidas e distantes, a sua voz. 

Nós éramos tudo o que sempre sonhei, éramos o par inseparável que compartilhava sentimentos, emoções e segredos, tudo como se tivéssemos nascido um para o outro, a metade da laranja, embora todas essas definições sejam uma grande idiotice na adolescência. Achei que não pudesse existir o fim se tratando de nós, e eu não me via desgrudada daquela sensação de paz que era facilmente transmitida.

Quando uma leve e salgada lágrima escorreu por entre todas as feridas não compreendidas que meu coração carregava, percebi que um band-aid não seria o bastante para esconder toda a saudade que você havia deixado, e que esse buraco era fundo demais para ser preenchido por alguém que não fosse você. Então eu lembrei que somos vitimas de reações inexplicáveis, porque a vida não deixará de ser essa caixinha de surpresa que sempre foi. 

A saudade se apoderou de mim lentamente, como um um tiro alcançando seu alvo, porém contra todas as leis que regem o universo. E meus dias se tornaram esse pretexto para fugir de toda essa insegurança que você deixou, mas enquanto fugo de todos os pedacinhos de sentimentos que ainda perambulam por aqui, me aproximo ainda mais daquelas velhas recordações, de saudades que o tempo não apaga, de sonhos que ainda não foram desfeitos. 

Mas agora eu não quero todo esse amor de volta, não quero nenhum deslumbre do futuro, nem as incertezas que você nunca foi capaz de solucionar, não quero promessas que geram dívidas, porque entendo o quanto uma parte de você nunca esteve disposta a gritar por nós, a lutar pelo fim do nosso silêncio, entendo que você nunca quis carregar no peito esse sentimento, jamais quis pertencer por inteiro a mim. 

Agora só resta chegar na janela e gritar por mim.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.