Nova Perspectiva

31 de agosto de 2016

Uma carta de amor para a minha menina


Menina, tua boca tem gosto de bala. De morango. Tua pele tem cheiro de terra molhada. Na boca é salgada. Transpira a cada toque, a cada mordida. A vontade que dá é de arrancar um pedaço. Engolir você aos pouquinhos. Comer pelas beiradas. Especialidade dos mineiros, comer devagarzinho. Você pede 'morde com carinho', como se soubesse de tudo. E sabe. Finge não saber só para ver até onde vai o meu desejo.

Menina, posso sentir o teu coração batendo. Acelerado. O meu também está pulsando. Intensamente. É um sentimento que não cabe no peito, quer sair de dentro da gente. Sempre me perco nas curvas do teu corpo. Labirinto. Conto as pintinhas na esperança de criar um mapa. Ingênuo! É como olhar para o céu noturno, estrelado. A cada piscada um novo desenho, um novo formato. Eu, astronauta, descobrindo os mistérios que você esconde.

Fiz morada no teu coração, menina. Fiz do teu corpo a minha cama, do teu abraço o meu cobertor, da tua boca o meu alimento. Sempre que fecho os olhos antes de dormir, penso em você. Penso em nós. Lembro das noites em que dormimos de conchinha, dos passeios de mãos dadas. Estou loucamente perdido de amor, sem rumo. Basta olhar dentro dos teus olhinhos para que toda certeza que eu tenho desapareça. Quando tu abre um sorriso, esqueço o meu nome. Esqueço o dia da semana, o mês, o ano.

E rezo para que o tempo congele no instante único em que as nossas bocas se encontram.

Eu te amo.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.