Nova Perspectiva

10 de agosto de 2016

Sofro de lacunas


Uma grande amiga me disse, certa vez: “Basta olhar para os lados e verá quantas separações, quantos corações desfeitos. A paixão passa, o sexo esfria, o que fica são a admiração e o respeito. E, pra isso, você precisa se sustentar com suas próprias pernas; precisa ter um alicerce – ou ficará pulando de galho em galho”.

Como todo cego de amor, demorei para ver, cair em realidade. Foi um tombo! Sempre fui teimosa, deveria ter dado mais atenção aos conselhos. Mas antes tarde do que nunca. Hoje sei que não devo fazer de amores a razão da minha existência.

Conseqüentemente, até mesmo o ânimo de sentir tem feito falta; talvez o amor desencadeado que em mim resta me deixou meio doente: doente da carência, dessa vontade de ter quem ou que, no cantinho de cá de dentro, essa enfermidade que com os dias se distância ainda mais de seu declínio. Quando talvez seu antídoto fosse apenas uma dose de querer, mesmo quando se falta vontade para o que se quer.

Sei que não é justo implorar para o coração acender quando se é alagado de incertezas, quando torrencial é a indiferença por qualquer quem que faça além do que julga poder retribuir.

Satisfação seria ter reciprocidade em todos os sentidos do tom, quando se diz amar e dar carinho, uma companhia, um amigo.

Para acordar na manhã de um dia qualquer e abraçar com um sorriso no rosto, trazendo para o aconchego do enlace que o coração transporta de dentro para fora. Poder tirar as garras, soltar o passado sem desapego, começar um ato de sem limites transpirar felicidade para o mundo.

Essa vontade imensurável de ser dois em um, talvez não seja possível nessa passagem, mas basta ser realidade distante.

Nesse contemporâneo de inconstâncias, procuro alguém eficaz e capaz de preencher as lacunas do meu vazio.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.