Nova Perspectiva

3 de agosto de 2016

Não quero alguém que me complete, mas sim que me transborde


Sinto-me completo, ainda que imperfeito e cheio de incertezas, de anseios, medos e sonhos não realizados. Cada passo que dou é na esperança de que estou evoluindo, crescendo, desenvolvendo minhas potencialidades. Às vezes tropeço, mas levanto e ergo a cabeça. Desistir não combina comigo. Não é do meu feitio jogar a toalha, mesmo quando a barra pesa e o negócio fica foda. 

Então não me venha com essa de que é a tampa da minha panela, a metade da minha laranja, o queijo da minha goiabada. Tudo isso é bonito demais, romântico demais, clichê demais. Nem todo clichê é ruim, não entenda errado, mas acontece que não preciso de alguém que me complete, mas sim de alguém que me transborde. E, para ser sincero, isso é mais difícil do que se imagina.

Cansei de conversas banais, sem profundidade. Cansei das mensagens de bom dia e perguntas sem sentimento, como aquele velho ‘como você está’. Quem quer saber de verdade? Das nossas dores, do nosso sofrimento, das piras e loucuras que nos atormentam. Dos nossos planos pro futuro, das filosofias sobre o universo, a vida, o amor e toda essa bagunça que carregamos no peito. Gosto mesmo é de áudios demorados, poesias de amor, textões reflexivos, cafés filosóficos, passeios inusitados e convites despretensiosos.

Quero alguém que também esteja completo — e isso não significa que procuro alguém que seja perfeito. Alguém que me transborde e me faça ir além dos meus limites, que expanda os meus horizontes, que compartilhe suas experiências e permita que eu também compartilhe as minhas. Procuro uma conexão verdadeira, sem essa lenga-lenga de felizes para sempre, almas gêmeas ou coisa parecida. Que seja infinito enquanto dure, para parafrasear
Vinicius de Moraes. 

Não queira ser metade, seja inteiro.

Imagem: Thaila Ayala

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.