Nova Perspectiva

4 de agosto de 2016

Eu desisti, mas não foi por falta de amor


Se eu tivesse outra escolha talvez eu tivesse continuado insistindo na gente, se permanecer boiando na superfície fosse uma possibilidade eu sei que teria optado por esperar um pouco mais pelo seu retorno, mas eu precisava afundar. Eu não podia mais permanecer ali como se estivesse tudo bem e eu não morresse um pouco a cada dia que passava e você ia pra mais longe de mim, eu não podia ignorar que eu tava sozinha na merda de um oceano inteiro e não tinha nenhum bote pra me salvar. Tava eu e eu, eu por mim, e alguma coisa precisava ser feita.

Cê entende que eu não tinha outra saída? Eu fiz tudo o que podia pra ficar ali no nosso lugar o máximo de tempo que o universo permitiu, mas uma hora eu ia precisar seguir em frente. O mundo não parou comigo, pelo contrário, o relógio permaneceu girando as suas vinte e quatro horas de todos os dias que seguiram a nossa despedida, ao meu redor as pessoas casaram, separaram, casaram de novo, viajaram, tiveram filhos e eu nem ao menos havia me movimentado, permaneci do mesmo jeitinho em que eu estava na última vez em que você olhou pra trás.

Eu ultrapassei o limite aceitável de persistir em alguém, porque eu acreditava que amor era ficar independente de qualquer coisa, mas não é não, e eu só me dei conta disso quando vi o seu status de relacionamento mudar com alguém que não era eu. Amor é saber a hora de pular fora, de saltar do barco, de abrir mão. Amor é, antes de tudo, saber a hora de sair de cena, porque não adianta continuar contracenando sozinho depois que o teatro fecha. Amor é entender que apesar da saudade e da dor e do medo, não dá pra abaixar a cabeça e estagnar, a gente tem que continuar, mesmo que seja pela metade.

Eu continuei, continuei porquê de todas as minhas opções essa era a única sensata, que não envolvia noites e noites de choro por alguém que vai continuar não estando aqui amanhã. Continuei porquê eu te amava e talvez ainda te ame e por isso não posso te obrigar a me amar de volta. Amor é isso, aceitar quando não dá, e a gente não deu. Tudo bem. Eu entendo, entrego os pontos e vou embora atrás de seja lá o que for que eu ainda tenho pra viver e que eu sei que vai ser bem melhor do que tem sido. Eu continuei porquê não era mais reciproco e pra amar alguém que não me ama é melhor amar a mim mesma.

Eu fiz o que era certo, o que foi preciso. Fiz porque eu tinha de fazer e pronto. Ponto. Mas eu tentei, nunca esqueça de que eu tentei muito, de que eu virei do avesso a minha vida e o mundo e que não me arrependo de nada disso. Eu precisava insistir pra entender que uma coisa quando não tem de ser ela não é e não importa o que a gente faça pra ser. Eu tentei demais, mas atingi o meu limite e tive de escolher se ficaria por você ou seguiria por mim, e fiz a minha escolha. Eu desisti da gente, mas não foi por falta de amor, pelo contrário, foi por excesso dele.

Um comentário:

  1. Minha vida em um texto. Li ouvindo 'Agora eu quero ir' - Anavitoria.

    ResponderExcluir

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.