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Chove não molha


Chove, mas chove fino. Da janela posso ver a rua, e você chegando com uma jaqueta de couro cheia de respingos. De novo com estes respingos, que saco! Está sozinho na calçada, sorrindo em direção a mim. Te convido para entrar e você nega com a cabeça.

Dançando e desviando das poças d'água, tenta me convencer de que é seguro e que irei gostar. Ah! Já entendi, você gosta da garoa. Eu também já gostei, hoje não mais. Você me diz que é apenas uma garoa fina, típica de São Paulo, daquelas que ficam o dia inteiro, mas que não molham. Eu sei, e é por isso que me sinto tão incomodada. Meu negócio é tempo firme. Não quero mais viver uma relação de chuviscos, ora pingam em mim, ora não.

Eu gosto do sol escaldante e do temporal tomando conta do meu corpo, e eu gostaria muito que a tua chegada fosse assim, trouxesse o calor ou o temporal que purifica a alma, mas tu só traz a garoa, que reflete a tua insegurança. É o "sim" querendo dizer "não" ou quem sabe o "talvez".

Eu quero um relacionamento repleto de tempestades, sóis e certezas. Quero intensidade, independente de qual seja. Chega de chover e não molhar! Espero que a partir de hoje os chuviscos não façam mais parte da sua vida, ou terei que apostar em outras previsões do tempo.
Chove não molha Chove não molha Reviewed by Nadhia Dantas on 20:39 Rating: 5

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.

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