Nova Perspectiva

21 de agosto de 2016

Chove não molha


Chove, mas chove fino. Da janela posso ver a rua, e você chegando com uma jaqueta de couro cheia de respingos. De novo com estes respingos, que saco! Está sozinho na calçada, sorrindo em direção a mim. Te convido para entrar e você nega com a cabeça.

Dançando e desviando das poças d'água, tenta me convencer de que é seguro e que irei gostar. Ah! Já entendi, você gosta da garoa. Eu também já gostei, hoje não mais. Você me diz que é apenas uma garoa fina, típica de São Paulo, daquelas que ficam o dia inteiro, mas que não molham. Eu sei, e é por isso que me sinto tão incomodada. Meu negócio é tempo firme. Não quero mais viver uma relação de chuviscos, ora pingam em mim, ora não.

Eu gosto do sol escaldante e do temporal tomando conta do meu corpo, e eu gostaria muito que a tua chegada fosse assim, trouxesse o calor ou o temporal que purifica a alma, mas tu só traz a garoa, que reflete a tua insegurança. É o "sim" querendo dizer "não" ou quem sabe o "talvez".

Eu quero um relacionamento repleto de tempestades, sóis e certezas. Quero intensidade, independente de qual seja. Chega de chover e não molhar! Espero que a partir de hoje os chuviscos não façam mais parte da sua vida, ou terei que apostar em outras previsões do tempo.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.