Nova Perspectiva

9 de julho de 2016

Você ficou na outra estrada


Eu sei que você não esperava que eu fosse jogar a toalha tão rápido. Nem eu pretendia que isso fosse acontecer. Eu achei que seria você e só você pro resto da minha vida. Eu quis que fosse. Quis acreditar que a gente casaria, teria filhos, uma casa na praia e quem sabe um sitiozinho cheio de animais soltos. Dois cachorros, três gatos, umas cinco crianças correndo com a boca suja de sorvete de chocolate e amor pra caralho até depois do depois da vida. Porque era assim que eu te amava. Pra caralho. Descontroladamente. Com advérbio de intensidade preenchendo nossas lacunas e corações em volta de mim. Mas você não. Você nunca me amou.

Eu precisei ir. Sim, precisei, porque no fundo eu não queria isso. Eu queria que você me convencesse a tentar mais. Mas você ficou em silêncio e me deixou sair sem bater a porta e os pés e de frente comigo. Entende que a culpa não é minha? O que eu podia fazer se essa foi a única opção que você me deu? Se foi a única saída livre que você deixou pra mim. Eu precisei cair fora porque você não me deu nenhuma razão preu insistir em nós dois. Porque você nem ao menos tentou me dar. E mesmo assim, mesmo com todo mundo contra, eu tentei por tempo demais. Tentei de tudo, dei meu máximo, me joguei de corpo e alma nesse oceano, mas você só quis molhar a pontinha do pé. Você não mergulhou comigo e mergulhar sozinha é uma droga.

Sinto muito moreno, mas eu não tava disposta a me afogar sozinha. Comigo é 8 ou 80, tudo ou nada. Não sei ficar me doando de pouquinho em pouquinho, me entregar em etapas e receber por partes. Eu quero completo, pronto pra transbordar. Te aceitei vindo em conta gotas até perceber que eu ia morrer de sede. Andei acelerada até perceber que mesmo assim eu tava ficando pra trás, então dei marcha ré e voltei tudo. To seguindo outra estrada, essa tem menos buracos e irregularidades. Ela é plana e o carro desliza, sabe? Em você eu só travava. Tinha que parar o tempo todo pra arrumar os estragos que você causava em mim. Agora eu não paro mais. E tá dando tudo certo desde que te deixei pra lá.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.