Nova Perspectiva

12 de julho de 2016

Seja meu último amor


Assisto você cozinhar duas porções de macarrão ao molho sugo enquanto bebemos a nossa segunda garrafa de vinho da noite e um jazz antigo embala o clima flutuando pela casa daquele disco de vinil que você comprou num antiquário e eu achei que não teria utilidade nenhuma. Sinto uma vontade louca de ir até você e te abraçar por trás sentindo cada um dos seus músculos se enrijecerem conforme toco em seu corpo, mas permaneço sentada no balcão com o sorriso meio apaixonada e meio alcoolizando que soa até um pouco piegas demais pra uma mulher que sempre foi tão certa quanto a sua liberdade emocional.

Por incrível que pareça, eu não sou boa pra falar de amor, nunca fui. Acho que é porquê nunca tinha vivido um como o nosso. Mas, mesmo sem saber ao certo o que dizer, você me faz querer gritar pro mundo coisas que nem mesmo eu entendo direto. Penso, enquanto analiso seu movimento divido entre uma panela e outra, em te confessar ao pé do ouvido que eu não esperava pela sua chegada tão repentina, porque eu andava com o peito fechado depois de me abrir demais pra pessoas que não souberam valorizar o espaço, então você me olha sorrindo e eu só retribuo, pois tem coisas que a gente guarda só pra nós mesmos e ponto final. Você é uma dessas coisas que eu não quero sair espalhando, quero só pode ficar observando ao passo em que te deixo conquistar o próprio território dentro de mim.

E você vai entrando e entrando e entrando e fincando bandeirinhas brancas em lugares cada vez mais distantes e eu vou me entregando sem sequer tentar resistir as suas investidas sacanas porque aqui em mim alguma coisa grita que é você. E eu sei que é. Sempre soube, desde o primeiro minuto em que os nossos olhos se encararam e eu tive medo de desviar. Sei porque você fez todo resto fazer sentido mesmo sendo uma bagunça completa. Porque as coisas se encaixaram e eu torço todos os dias pra você ser meu último amor. Sei desde o instante que enxerguei todo o futuro passar em frente aos meus olhos e eu senti que por mais louco que fosse eu queria dividi-lo contigo do mesmo jeito que dividimos agora esta macarronada às três da manhã de uma sexta-feira de julho.

2 comentários:

  1. Tão eu esse texto, lindo es tu apaixonada por ele fala exatamente o que sinto pelo amor e minha vida, vou até enviar um trecho dele para ele, agora mesmo ��

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.