Nova Perspectiva

26 de julho de 2016

Quando o amor acontece


Não sei explicar direito o que foi que houve quando eu te encontrei, nem como isso tudo aconteceu tão inesperadamente. Foi de supetão, sem que nenhum de nós estivesse esperando sermos pegos desse jeito por algo tão grandioso. Foi uma dessas coisas que surgem do dia pra noite, exatamente daquele jeito que a gente não acredita muito que pode acontecer porque parece demais com história de filme de amor. Não sei se dava pra termos previsto que tudo acabaria assim, nem se podíamos ter premeditado as coisas ou se tinha de ser sem que tivéssemos ideia do que a vida tava aprontando. Talvez realmente o melhor fosse acontecer de surpresa, sem querer, sem que pensássemos muito sobre o assunto e armássemos maneiras de fugir. Não sei se foram os astros ou a energia do planeta ou as estrelas ou alguma coisa divina ou sei lá o que que uniu nós dois. Não sei se foi destino ou acaso ou coincidência ou tudo isso junto. Não sei o porquê, nem mesmo consigo saber se existe um. Mas eu sei que de algum jeito a gente aconteceu.

Lá, naquele momento em que eu te olhei e por mais que tivesse tentado não consegui desviar os olhos, precisamente neste segundo eu entendi tudo. Eu soube ali que algo estava fugindo do controle, mas dessa vez eu não tentei impedir que aquilo acontecesse, não me segurei e nem criei desculpas pra cair fora, porque de alguma maneira eu queria me permitir viver aquilo. Eu precisava viver. Então mantive os meus olhos fixados nos seus e fui deixando aquilo tudo nascer em mim. Eu sabia que tinha de sentir. E senti. Senti as pernas bambearem e a respiração parar e um milhão de borboletas invadirem o meu estômago como se ele fosse terra de ninguém. E era. Até que você me invadiu e estirou uma bandeira com o seu nome em mim. Passei anos fugindo da ideia de ter alguém, por puro medo do que aquilo podia representar. Eu não queria que doesse. Não queria correr o risco de acabar toda machucada e cheia de cicatrizes por ter me jogado nos braços errados, então eu fui me segurando e me segurando e me segurando até que você me atravessou e eu não consegui me proibir de querer que fosse você.

Quando o amor acontece a gente sente um pesar gostoso no fundo do peito, a gente sabe quando ele acontece porque é algo que não dá pra confundir, não dá pra ignorar. Pode não fazer sentido algum, pode parecer uma loucura completa e perigosa, pode soar completamente torto e errado e confuso, não importa. O amor não pede pra que a gente por favor o deixe entrar, nem pra que cedamos um lugar pra ele. Ele não se importa com isso. Não faz cerimônia alguma. Ele domina cada parte de nós sem sequer pensar se vai fazer muita ou pouca bagunça. E ele pode até assustar de começo, parecer forte e estrondoso demais, sem contar que acaba tirando o nosso sono e a fome e os pés do chão e que atenta a gente a fazer coisas que nem passavam pelas nossas cabeças, mas nada é tão bom quanto senti-lo. Ele nos faz acreditarmos que podemos tudo. E é assim que eu me sinto desde o dia em que você cruzou o meu caminho jurando que queria andar comigo, cheia de coragem pra vencer a vida ao seu lado.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.