Nova Perspectiva

29 de julho de 2016

Nosso amor acontece offline


Você pode vasculhar o meu facebook de cima a baixo que não vai encontrar um álbum só com fotos nossas e legendas apaixonadas e comentários gigantescos sobre o quanto nos amamos e queremos passar o resto da vida juntos e já temos até os nomes dos nossos filhos. Também não irá ver em momento algum a gente ficar se marcando em publicações de páginas de amor ou compartilharmos na linha do tempo do outro alguma poesia do Caio Fernando em uma imagem que não tem nada a ver com aquilo que está sendo dito. E não é nada contra o Caio não, nem contra as páginas de frase pronta, é só que a nossa relação acontece no mundo real, fora das redes sociais, e isso nos deixa sem tempo pra esse tal de amor virtual.

De vez em quando a gente até atualiza as nossas contas nesse universo doido como um casal comum e talvez você veja algum dia na sua timeline nós passando fazendo alguma gracinha aqui e outra ali, mas isso é raro, em geral aprendemos a respeitar o nosso espaço, aprendemos que amor não precisa estar escancarado pro mundo pra ser de verdade, basta que ele esteja pra gente. E está. Tudo bem se você faz parte do time que não dispensa o mundo on-line, não tem nada de errado em ser assim também, desde que isso não seja pra provar pros outros o quanto vocês tão bem e felizes juntos e são perfeitos um pro outro. Desde que não seja pra viver uma relação que na verdade não é nem metade do que aparenta ser.

A gente não quer vender uma imagem que não existe, eu não acredito nessas relações em que você cria uma cena bonita pros outros enquanto não suporta nem ao menos passar muito tempo ao lado da pessoa sem que isso acabe numa briga. A gente não se atualiza muito no mundo virtual, mas é que sabemos que não temos de espalhar por aí o tamanho da nossa felicidade, nós sabemos que ela é grande e que não se limita a uma postagem ou a um status no facebook. Nosso amor acontece offline, numa praça de bairro, na sorveteria super descolada que abriu na Paulista, na viagem pra Campos que a gente fez no mês passado. Nos lugares em que fomos e não marcamos um ao outro porque já estávamos nos marcando de verdade. É que no final de tudo o que importa é como realmente foi o beijo e não quantos likes a foto dele deu.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.