Nova Perspectiva

4 de julho de 2016

Mais uma noite e você não vem


Apago sozinha as luzes de casa mais uma noite depois de me dar conta de que você não virá hoje. Nem amanhã e depois e mês que vem ou qualquer outro dia dessa vida. Tranco as portas porque a campainha não vai tocar e você não vai me fazer uma surpresa trazendo os meus chocolates favoritos e fecho a cortina da janela da sala porque não tem ninguém lá fora pra me ver rodopiar pelo carpete depois do serviço como você fazia. Antes de ir pro quarto eu recolho os meus pedaços espalhados pelo chão e transformo a vontade de gritar em lágrimas pesadas que escorrem pelo meu rosto no escuro que você deixou em mim.

Faz semanas que você decidiu que isso tava demais pro que você queria da vida e eu ainda não consegui me livrar dos espaços que você criou e fico lutando sozinha numa batalha já perdida só pra não aceitar que eu não preciso mais colocar o seu prato na mesa na hora do jantar. Nem arrumar seu lado na cama que não bagunça já tem mais de um mês. Ou lavar suas roupas que ficaram pra trás e que eu coloco no varal só pra fingir que você ainda vive aqui. Meu corpo vacila quando eu tento levantar e estremeço inteira mas não do jeito que eu fazia quando você se colocava dentro de mim. Faz um silêncio insuportável agora e eu consigo sentir minha respiração ecoar solitária e eu só não sei se é em casa ou no meu coração que vive este vazio.

Pávida com a ferida que arde na minha alma eu me embrulho nas minhas sobras tentando afugentar os fantasmas que me cercam. Não posso continuar te esperando porque faz frio demais e você não vai vir pra esquentar meu corpo enquanto eu adormeço no sofá me convencendo de que vou acordar com você aqui Não posso porque eu sangro demais enquanto insisto em me ralar nos espinhos da sua indiferença e não importa o tamanho da minha saudade ou a vontade que eu sinto da gente ou quantas vezes eu já pedi oh Deus me traz ele de volta você não vira estancar essa minha hemorragia. E eu vou morrer de amor se não transplantar pra outro órgão toda essa merda que transborda por você.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.