Nova Perspectiva

18 de julho de 2016

Fique à vontade pra sentir minha falta


Fiquei sabendo que você perguntou sobre mim na última festa, que quis saber porque eu tenho saído menos e se eu conheci alguém diferente no último verão. Vi que você postou a nossa música na sua linha do tempo e que colocou um coração depois de dizer que está com saudade no final. Eu recebi a indireta moreno, e ignorei com o mesmo sucesso que você esperava me atingir. Também descobri que você tem me procurado. Em lugares, em pessoas, em amores. Mas que tá foda de me achar no resto dessa gente. E que tá foda de lidar com o cheiro que eu deixei no seu travesseiro e com o seu café que você se esforce não fica bom igual ao meu e um monte de outras paradas que cê não tá conseguindo enfrentar. Inclusive a minha falta.

É ridículo, mas eu preciso admitir que foi bom saber que eu deixei uma lacuna em você. Um buraco profundo que cê não tá sabendo tampar sozinho. E que ele vai continuar aí até você descobrir porque eu não to mais disposta a te ajudar. Sei que falando assim pode soar meio egoísta, como se eu tivesse me vangloriando do seu sofrimento por uma vingança imatura, e no fundo eu realmente to, mas é que cê sabe: eu não sei mentir. Nunca soube. E te ver se arrepender e achar que ainda dá tempo de correr atrás faz com que o peso das noites em que eu chorei por sua causa fique um pouco menor. Embora já não de mais pra gente tentar de novo e eu nem esteja disposta a me esforçar pra fazer dar, você pode ficar a vontade pra sentir a minha falta.

Eu não sou ruim. Juro. Mas é inevitável sentir o cantinho do lábio envergar pra cima quando você arrisca o resto do seu orgulho pra me reconquistar. Se ficar insuportável lidar com a ausência da nossa história e você ainda tiver o meu número pode me ligar de madrugada só pra ouvir minha voz como eu fazia com você. Tudo bem se cê resolver passar as tardes olhando as minhas fotos e tentando descobrir quem é o maldito dono do meu novo sorriso. Eu também já agi assim. E é patético mesmo, mas não tem problema, eu sei como é estar do outro lado. A nossa única diferença é que contrário de você eu não tinha perdido nada que eu tivesse nas mãos. Já você me desperdiçou completamente.

Eu imagino que deve ser duro saber que eu podia ter sido sua, mas que você me deixou voar antes de se dar conta de que era comigo que você queria fincar no chão e montar acampamento. Deve ser horrível saber que você me mandou embora tantas vezes e que justamente na única em que eu não voltei você resolveu sentir minha falta. E que vai continuar sentindo, porque nenhum outro braço vai ser capaz de aliviar a saudade que os seus tem dos meus em volta do seu corpo. Parece mentira, mas aquela coisa de que o que a gente faz volta pra gente é bem verdade. Eu não posso fazer nada pra aliviar a sua dor a não ser te garantir que ela passa e a gente sobrevive. Basta olhar pra mim e ver como eu to: feliz, inteira e bem melhor sem você.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.