Nova Perspectiva

3 de junho de 2016

Reticências

Oi, quanto tempo. Como vai? Como está a sua família? As vezes eu vejo as fotos dos eventos em que eu deveria estar... Vejo fotos dos sorrisos em que o meu, aquele tímido, aquele que você gostava tanto, deveria aparecer. Mas então eu pisco, e a realidade está estampada ali, na minha cara, me fazendo enxergar. Eu não estou mais na sua rotina. Nem você na minha.

Muita coisa têm acontecido na sua vida, não é? Eu acabei sabendo... Novo emprego. Novas amizades. Novos amores. Novas viagens. Novos beijos. E não, por favor, não pense que eu fico triste por você. Eu me sinto feliz de ver que você está vivendo, mesmo que, quando estávamos juntos, uma ida ao cinema talvez se tornasse uma DR de dois dias.

As coisas acabaram meio complicadas. Meio emboladas. Não sei onde começou sua dor e terminou a minha. Não sei se o gosto salgado que senti na boca era da minha lágrima ou da sua. Ao invés de um ponto final, foram inseridos três pontos, a contragosto, na nossa história... Tem uma reticências ali, meio torta, meio feia. Mas você admitindo ou não, uma reticências.

Às vezes, nossa história está destinada a realmente não ter fim. Ficaremos condenados a imaginar tudo o que poderíamos ter sido, se tivéssemos tentado outra vez. Se tivéssemos nos arriscado mais uma vez. Mas por ora, cada um segue um caminho. Cada um carregando sua culpa, sua mágoa, sua saudade.

‘Moço, aqui está o seu café’. Pego, sinto o gosto forte, e agradeço.

Lembro que você costumava me admirar pela persistência em correr atrás dos sonhos. Eu ainda mantenho isso aceso. Minha bússola ainda aponta para a direção em que eu sempre me imaginei feliz (pulando, obviamente, a direção da sua casa). Não sei ao certo como chegar lá, mas vou tentando. Quem sabe a gente não se esbarra em alguma esquina? Quem sabe.

A reticências ainda vai rir da nossa cara.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.