Nova Perspectiva

6 de junho de 2016

Ainda pode ser moreno


Senta aqui comigo moreno. Deixa eu te olhar. Deixa eu te ver. Coloca uma música no computador. Tem Norah Jones, Criolo e Coldplay na playlist que eu baixei pra pensar na gente. Tem a nossa música também. E Armadinho. Outra noite que se vai. E eu vou até você. Apaga a luz que eu acendo o abajur. Tudo fica mais bonito no escuro. Até o nosso amor. Toma um café, uma água, uma cerveja. Toma meu corpo e coloca no seu. E me ama. Depois me escuta um pouco. Só um pouco. Prometo falar rápido, porque a gente nunca gostou de enrolação. Só de se enrolar. Um no outro, principalmente.

Eu sei que tudo isso que eu tenho pra te falar não vai fazer sentido nenhum, mas tudo bem porque a gente também não faz. Nunca fizemos. E mesmo assim eu continuo acreditando em nós dois. É isso moreno. Eu ainda creio na nossa história. Por mais insano que isso seja. Por mais patético que pareça. E é. Pateticamente degradante. Eu sei. Mas não importa. No fundo nada nunca importou. Só a gente. E você ainda é a minha maior importância. Mesmo depois de tudo. Mesmo depois do tanto que eu chorei no colo dos outros e de ter ido embora da sua casa prometendo nunca mais deixar você entrar em mim. Eu to aqui. A porta tá aberta. E só falta você voltar.

As coisas não têm acontecido como eu imaginei. Tirei suas roupas do armário, joguei fora a sua escova de dente e rasguei a nossa foto, aquela que ficava ao lado das flores que você me deu. Elas iam durar enquanto o nosso amor durasse. Talvez seja por isso que elas continuam vivas. Esquece que são de plástico, se apega na metáfora. Depois se apega em mim. Também comprei uns livros de autoajuda na banca aqui da minha rua, o cara perguntou porque você parou de comprar o jornal de domingo e eu tive que dizer que você parou com um monte de outras coisas. Inclusive comigo. E ele me olhou com pena, sem saber o que responder. Mas tá tranquilo, porque eu também me olho assim de vez em quando.

Tentei de tudo. Juro! Só que parece que alguma coisa continua me prendendo a você. Apaguei seu número da minha agenda, arquivei nossas mensagens e me desfiz do perfume que você esqueceu aqui. Comprei umas roupas novas, tingi o cabelo e postei algumas fotos só pra você ver que eu tava seguindo em frente. Tava dando certo, sabe? Eu comecei a acreditar que estava ficando tudo bem depois que passei sete dias sem chorar por você, mas aí eu senti o seu gosto em outra boca e não consegui entender porque não era você ali. Porque não era a gente. E eu não achei explicação. Nenhuminha. Como eu também não acho a razão do porquê a gente não tentou de novo. E de novo. Novo. Você sabe?

Chega um pouco mais perto moreno. Encaixa teus olhos nos meus. E fica assim. Quietinho. Sente meu coração. Deixa eu me perder aí dentro enquanto você se perde em mim. Deixa eu me achar nessa confusão que vive no seu peito. Deixa eu descobrir se ainda moro aí dentro. Eu confesso, você ainda mora em mim. Como um inquilino persistente que não arreda o pé mesmo com o universo puxando pra fora. E não arrede mesmo! Eu não quero. Nunca quis. Nem nas vezes em que falei que sem você eu ficava muito melhor. Não fico. Tá vendo? Eu to um caco. Mas você sabe colar meus pedacinhos. Então cola pra mim. Cola em mim. E confia também, porque eu sei que ainda pode ser nós dois.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.