Nova Perspectiva

23 de maio de 2016

Vai embora por favor


— Faz mais de uma semana que estou te procurando, o que aconteceu?
— Faz mais de uma semana que estou fugindo de você.
— Fugindo? Como assim?
— É, to evitando os mesmos lugares, fingindo que não vejo suas ligações, apagando suas mensagens pra parecer que eu não visualizei...
— É sério isso?
— É sério isso, ué.
— Por quê?
— Por que o que?
— Por que cê tá fazendo desse jeito?
— Porque é mais fácil se a gente tiver longe.
— O que é mais fácil?
— Deu te esquecer.
— Você quer me esquecer?
— Não quero, mas eu preciso te esquecer.
— Precisa?
— Pra sobreviver.
— Ao que?
— A nós dois.
— Não estou te entendendo...
— Eu preciso sair daqui inteira. Você, nossa história, isso tudo está me fazendo mal.
— Então você precisa se esconder de mim?
— Sim!
— E me tirar de dentro de você?
— Exatamente.
— E não importa se isso vai me fazer mal?
— Isso tá te fazendo mal?
— É claro que tá. Eu quero você. Quero você comigo.
— Não basta só querer.
— Não?
— A gente vai acabar se machucando.
— Quem disse?
— Eu digo. Eu afirmo. Eu grito. Isso tem tudo pra dar errado e eu não acredito em histórias mirabolantes de amor.
— O que te leva a pensar que temos tudo pra dar errado? Larga de ser pessimista...
— Nós dois. Você. Sua fama.
— Minha fama?
— De quem não sabe o que é amar.
— Eu te amo.
— Para de brincar comigo.
— Eu te amo e não to brincando contigo.
— Você ama cada dia uma menina.
— Eu posso sair com várias meninas, posso ser um galinha imbecil do tipo que você despreza, mas nunca falei tão sério em toda minha vida, nunca falei sobre amor sem ter certeza do que eu estava sentindo. Eu tenho. E eu te amo.
— Eu também te amo. Muito.
— Então para de fugir disso.
— E se der merda?
— Tudo bem amor, a gente dá descarga e tenta de novo.

*imagem via reprodução

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.