Nova Perspectiva

8 de maio de 2016

Toda mãe é igual

"Já arrumou seu quarto hoje? Por acaso você tá achando que tem empregada aqui?" Ela diz com as mãos na cintura enquanto varre com o olhar as roupas em cima da minha cama. Não mãe, eu ainda não arrumei, mas fica tranquila que daqui a pouquinho eu vou colocar tudo em ordem. E eu sei que você vai brigar e vai falar um monte e que eu não devo retrucar porque você tem razão, preciso te ajudar mais. Preciso começar a lavar a louça antes que você tenha que pedir pela décima quinta vez e também levar o lixo pra fora sem que cê precise implorar. É pouca coisa que você pede, eu sei. Manter a casa arrumada, não espalhar tranqueira pelo chão, levar o prato na pia e, pelo amor de Deus, não chegar com nota vermelha. Não vai cair minha mão, tudo bem, você tá certa.

Por sinal, quando é que cê não tá? Perdi as contas de quantas vezes ignorei os seus conselhos e me dei mal. Que magia é essa mãe? Qual é o tipo de feitiçaria que você usa pra estar sempre na frente? Sempre com a resposta na ponta da língua? Como é que você sabe exatamente o que vai acontecer? Nem os meteorologistas podem com a senhora! E nem me venha com esse papo de que é a experiência de vida porque eu já vi muita gente mais velha errar, mas mãe não. Mãe não erra, nem quando erra. Também quero aprender a olhar pro céu e descobrir se vai chover, digo mais, preciso entender como você pode ouvir uma história e já saber no que vai dar. Em quantas furadas não me meti por não conseguir enxergar a mesma verdade que você? Quantos tombos eu não podia ter evitado se em vez de querer provar que você não tinha razão eu tivesse te escutado?

Você sabia que eu ia me machucar sempre que eu me machuquei, tanto naquela vez do parquinho em que cai de cima do escorregador e ralei todo o meu joelho, quanto quando eu comecei a sair com aquele carinha da faculdade e me ralei por dentro. Você me alertou das duas vezes, mas eu me fiz de surda e aprendi do pior jeito. Mas o que é isso hein, mãe? É sexto sentido? Intuição materna? Bruxaria? Ou só amor? Talvez, quem sabe, seja tudo isso junto. Por amor, também, você deixou com que eu me jogasse de alguns lugares altos mesmo sabendo que não daria certo, é que cê entende que por mais que tente, eu preciso levar meus próprios tombos sozinha, preciso saber me reerguer com as minhas próprias pernas, mesmo que depois você esteja de braços abertos e com um chazinho pronto pra analgesia as minhas dores. Aliás, quem disse que não existe remédio pra dor no coração, certamente não conhecia colo de mãe.

Mamita, mãezinha, mãezoca. Aquela ali no canto, falando alto, dando bronca, avisando que o jantar tá na mesa e que vai esfriar e ninguém vai esquentar de novo. Mamãe. Que te liga antes que de tempo de você mesmo ligar pra avisar que tá tudo bem. "Fica tranquila, qualquer coisa te mando uma mensagem." Nem adianta avisar, que ela manda outras vinte de qualquer jeito e ai de você se não responder na hora. Mãezona. Que faz teu prato preferido numa quarta-feira de chuva só pra te agradar. Que te convence a levar um casaquinho no verão de quarenta graus e ainda se vangloria porque choveu, sim, e você podia ter pego um resfriado. Mas ela te salvou. Ela sempre salva. Mamis. Que transforma qualquer gripinha em pneumonia. Que te pede pra voltar antes da meia noite, não andar sozinha e mandar a placa do táxi por mensagem. O mundo tá perigoso, não to exagerando. Tá sim, mas eu nem ligo mãe, já ela, vish, sabe aqueles cabelos brancos? Não é a idade, é a maternidade. 

E quer saber de uma coisa? Aqui ou na China, mães são todas iguais. Só que a nossa é sempre muito melhor. Inclusive, a minha é única.

Feliz dia das mães

Um comentário:

  1. Bibiela e seu magnífico dom de tocar á todos com suas palavras. Até eu que não sou mãe chorei....

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.