Nova Perspectiva

28 de maio de 2016

Quando é pra ser, o universo faz dar certo


Eu levei um bocado de tempo pra conseguir abrir mão da nossa história, mesmo sem te ter aqui comigo eu continuei vivendo como se nada houvesse mudado, como se não tivesse um espaço vazio no outro lado da cama. Mas tinha. E tinha um maior ainda aqui dentro de mim. Eu sofria e chorava me perguntando onde é que tinha ido parar todo o nosso amor. A gente tinha tanta promessa e tantos planos e de repente não havia mais nada. Tudo virou pó e voou pra longe. Nós voamos também. E o mais difícil era olhar pra você e saber que você também sentia o que eu sentia. Que no fundo, nada havia mudado.

Nem sempre o amor é suficiente pra fazer dar certo. Foi difícil entender isso. Por mais que a gente quisesse fazer dar certo, não era o momento de dar, você precisava viver outras histórias, conhecer outras bocas, outros corpos, outras vidas, pra ter certeza de que era dentro de mim que você se encontrava. Eu tinha que conhecer o mundo, os lugares, as pessoas, pra conseguir parar de me sentir grande demais pra um espaço tão pequeno. Eu precisava encontrar o meu tamanho, pra saber se eu realmente me encaixo em você. A gente precisava ir embora, mas ir, nem sempre, é colocar um ponto final. Nós não colocamos.

Nossa história ficou em aberto, sem conclusão, com um pedaço vago pra se nós dois mais pra frente acharmos que vale a pena dar continuidade nela tentemos novamente. Nossa despedida foi dolorosa até a hora que eu entendi que amor não é prisão, algumas vezes é necessário se desvincular, abrir mão e seguir caminhos diferentes, pra depois se encontrar de novo, de um jeito novo. Eu demorei muito pra entender que quando é pra ser, o mundo faz a gente se encontrar. Pode ser amanhã, depois, daqui um ano, sete, vinte ou cinquenta, não tem como saber, pode ser que seja só no fim da vida ou então no começo da semana que vem.

Não importa se você encontrou outra pessoa e eu resolvi fazer faculdade fora. Talvez você case, tenha filhos e se mude pro interior, talvez eu encontre um novo amor em cada país que eu vá, esqueça o jeito que você me olhava fazendo com que eu me sentisse a mulher mais linda do mundo quando eu saia do banho com o cabelo bagunçado e não sinta mais o seu gosto nas minhas recordações. Talvez a gente ache que que nunca mais vai ser nós dois, até que o destino nos cruze num aeroporto enquanto eu vou pra mais uma aventura e você se recupera do divórcio. Quem sabe? 

A vida é uma caixinha de surpresa e se for pra ser nós dois, não importa quantas vezes o mundo gire, ele sempre vai parar no mesmo lugar.

*imagem via reprodução

2 comentários:

  1. Gabriela, amo seus escritos. Meus parabéns! 😉

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  2. Saber que poderemos voltar um dia é o que me faz ter forças pra viver...

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.