Nova Perspectiva

16 de maio de 2016

Eu te vejo moreno, mas já não gosto mais do que enxergo


Teve uma época em que eu achei que não ia suportar ficar sem você, porque na minha cabeça cê era o homem da minha vida e nunca, nunquinha, eu iria encontrar alguém assim. Cê foi o meu primeiro amor e eu garantia pro mundo que seria pra sempre o único. Quando a gente se despediu, um pedaço meu foi junto, ali eu achei que tava perdendo a minha melhor parte. Não sei se era o jeito que você acredita na vida ou aquelas coisas bonitas que você dizia sobre tudo ser muito além daquilo que a gente vê. Cê me fez aprender amar os detalhes. Eu amava o jeito como as nossas mãos se encaixavam. Tinha algo em você que te tornava especial. Eu sentia vontade de olhar o que você olhava, pra ver toda aquela poesia que cê via.

Você era diferente. Não sei explicar bem. Mas você tinha uma áurea que te tornava único. Um homem que não perdeu a doçura de menino, nem abaixou a cabeça e colocou os pés no chão. Cê era da lua, da rua. E eu era sua. Só sua. E pra mim só podia ser assim. Mas cê disse que precisava de um tempo pra pensar, que alguma coisa tava mudando ai dentro, e eu te dei. Você nunca mais olhou pra trás. Passou a sair com um pessoal diferente, que não tinha nada a ver com nós dois, começou a andar com aquela galerinha cool que a gente detestava, entrou pra academia, pra faculdade, pro mercado de trabalho e conheceu outra pessoa. Nesse tempo todo eu te acompanhei de longe e vi com dor o meu amor mudar.

Eu vi o seu status do facebook trocar. Em um relacionamento sério. Quem diria, logo você que sempre disse que isso era ridículo. Vi você falar pra ela as mesmas coisas que falava pra mim, compartilhar as nossas músicas, o nosso autor preferido, os nossos textos. Vi vocês postarem fotos juntinhos com legendas que me faziam ter vontade de vomitar. Aquele não era você, não podia ser. Eu não entendia como de repente cê tinha se tornado alguém tão comum. Também te pedi-la em casamento, e esbarrei com o seu perfil em aplicativos de relacionamento. Foi uma decepção atrás da outra e o meu maior amor foi despencando morro à baixo junto da minha admiração.

Não fui só eu que te perdi. Você se perdeu também. Se perdeu de si mesmo e não tem perda maior que essa. Não gosto do que eu vejo quanto te olho e não te acho, quando te procuro e só consigo encarar esse novo homem, padrão, comum, sem sal. Sua doçura extinguiu junto da poesia e ficou só a carcaça de um cara pequeno, álgido, embrutecido. É uma pena que você tenha gostado de ser esse novo cara, porque eu já não gosto mais do que enxergo. E então ficou fácil te esquecer, já que nem você se lembra mais.

*imagem via reprodução

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