Nova Perspectiva

13 de maio de 2016

De todas as companhias, a sua é a que mais faz falta


Em um dia como esse, era você que costumava estar comigo agora. Eu deitaria no seu colo, você afagaria meu cabelo e diria: “Fica assim não, amiga, vai dar tudo certo. Você tem que parar de procurar, tudo que é seu te encontrará”. Eu fingiria que acreditei no que você disse e logo depois iríamos para a cozinha fazer brigadeiro de panela para comer assistindo a alguma comédia romântica água com açúcar e que no final, terminaríamos nos questionando quando encontraríamos alguém que nos fizesse tirar o pé do chão. 

Você sempre disse que todas as pessoas verdadeiras entram na nossa vida sem que haja necessidade de procurar, porque amizades ou até mesmo paixões simplesmente acontecem. Da mesma forma que algumas amizades surgem, por algum motivo também acaba ou deixa de ser como antes; mas sempre achei que estaríamos imunes a qualquer afastamento, já que nunca imaginei uma vida sem sua presença, suas chatices e implicâncias com meu péssimo gosto para garotos. Só que aconteceu.

Confesso que sofri muito depois daquela briga que decretou separação total. Coloquei na cabeça a maldita ideia de que não queria mais falar com você, atravessava a rua quando percebia que cruzaria comigo e parei de te seguir em todas as redes sociais. Fiquei um bom tempo sem vontade alguma de dividir minha vida e a conta da balada com alguém. Os trabalhos em dupla que fui obrigada a fazer na sala de aula foram pura figuração. Era só para testar seu ciúme. O que não resultou em nada. Você se quer notou com quem eu estava sentada.

Depois de tanto tempo sozinha, decidi que encontraria uma nova melhor amiga. Uma bem melhor que você. Não preciso nem dizer que foi outra tentativa fracassada, né? Mas eu tinha que achar alguém para passar os dias ruins. Fiz aquelas mesmas festas do pijama que costumávamos fazer juntas, assisti filmes de terror achando que elas apertariam a minha mão de tanto medo como você fazia, tentei tirar fotos divertidas como as nossas e até tentei que minha mãe gostasse delas como gosta de você, como uma filha. Não deu certo. Nada deu certo. Sabe porquê? Elas não são você e nem chegam perto, amiga.

Eu desisto de tentar te encontrar em outras pessoas por aí. Por mais que a vida insista em nos deixar separadas, você sempre será a minha melhor amiga e eu posso rodar o mundo, conviver com várias outras pessoas que, eu tenho certeza, não encontrarei uma amiga como você. Nenhuma outra pessoa abrirá a porta da sua vida como você abriu para mim. Ninguém tomará conta de mim como você tomou, como uma irmã e às vezes, com um grande instinto maternal. Elas não entenderiam o que eu quero dizer com um olhar e até mesmo com um único aperto no braço.

Desculpa por tentar te substituir. Desculpa pelas vezes que fui sincera demais, cínica demais e chata demais. Desculpa por me ausentar quando você precisou, por não ter segurado forte sua mão quando você insistiu em virar as costas. Eu só queria ter a chance de recuperar tudo que perdemos. De todas as companhias, a sua é a que mais faz falta.

*imagem via reprodução

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