Nova Perspectiva

1 de abril de 2016

Você não ficou para o café

Eu penso em você. Já virou quase um ritual observar por aí todos os carros parecidos com o seu e não dá mais para evitar sentir seu cheiro nas esquinas daquela avenida que você andava ao meu lado, de mãos dadas, como se a gente já fosse um casal. Eu bem que tentei parar de te procurar por aí, mas tá difícil, cara, eu vejo seu rosto em cada moreno que passa por mim. Ainda me lembro dos poucos momentos que vivemos juntos, das suas loucuras de alguém que não se preocupa com nada ao redor e vive a coragem de uma vida que eu jamais tive, e por incrível que pareça, eu sinto falta de ser surpreendida por um beijo seu no meio de uma multidão, daqueles que você não sentia vergonha nenhuma de parar tudo e me perguntar se eu topava entrar nessa com você. Também não é fácil esquecer o brilho dos seus olhos ao me encontrar, o toque das pontas dos seus dedos na minha pele, o seu jeito de criança de pedir carinho que nunca se cansava das minhas mãos acariciando sua nuca e da forma que minha cabeça encaixava no seu peito.


Eu sei que fui durona demais e não ouvi as diversas vezes que você dizia baixinho para não ter medo, porque a sua intenção nunca foi me fazer sofrer; também sei que não demonstrei o que sentia por você e que provavelmente esse tenha sido um dos motivos que te fez afastar de mim, mas talvez meu jeito seja meio torto mesmo e eu só queria que você me conquistasse, não queria que você soubesse o tanto que eu estava na sua que nem sabia mais onde era a minha. Não queria acreditar e perceber como te queria, eu ouvia meu coração dizendo que você não iria ficar por muito tempo, que nem adiantava a faxina que eu estava fazendo para te receber, mas comecei tirar o pó aos poucos com a esperança de que você ficasse. 


Você não sabe o tanto que lutei para não guardar na memória cada coisa que vivemos e acabei com cada borboleta que brotava no meu estômago quando te via chegar. Ah, mas eu gostava tanto das suas chegadas que vez ou outra alimentava uma vontade de que isso não acabasse. Não assim, não com esse abismo que brotou entre a gente e que te fez passar por mim e nem abrir meu sorriso preferido. Você passou tão perto e naquele momento eu senti e entendi que sempre seremos isso: passado. Passou e não quis ficar.


Por mais que eu tenha fugido várias vezes com medo de me apaixonar, eu me entreguei o tanto que meu peito permitiu, até acreditei quando perguntou se eu estava preparada para ser a mulher mais feliz do mundo e respondi baixinho no seu ouvido que sim. Não sei onde errei e se pequei por falta, mas talvez o problema tenha sido eu ter percebido tarde demais o tanto que te queria e quando resolvi lutar por isso, você já tinha abandonado o barco. Você quebrou uma parede inteira do meu muro de Berlim e foi embora. E agora eu to aqui, sozinha outra vez, com os tijolos que deixou para trás. Preparei a minha vida e você não ficou nem para o café.

* Imagem via weheartit

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.