Nova Perspectiva

28 de março de 2016

Não sei o que faço pra te esquecer

Eu juro que já tentei de tudo pra tirar você de dentro de mim moreno, li até manual de autoajuda, acredita? Comprei na banca e voltei correndo pra casa antes que desse tempo de sentir pena de mim mesma. Dez passos pra esquecer o ex, cinco dicas pra desapegar, três formas de aceitar o fim, as leis da superação. Procurei sites que falavam sobre relacionamentos acabados e aluguei os ouvidos das minhas melhores amigas por longos e longos dias achando que desse jeito eu ia me esvaziar de você. Eu vi de tudo, cheguei até a ligar naqueles telefones que ficam colados nos postes com o aviso de “trago seu amor de volta”, quem sabe algum deles não soubesse o que é que eu faço pra te mandar pra longe do meu coração. Você me acharia patética se soubesse disso, eu sei, mas é assim que a gente fica quando continua vivendo sozinho uma história de amor.

Cortei o cabelo no ombro, daquele jeito que cê detestava, e pintei de loiro bem claro, tenho chamado mais atenção na rua, mas nenhum rosto que virou pra me olhar era o seu. Entrei pra academia, mudei minha alimentação e comecei a fazer o meu próprio jantar, chega de comida congelada! Fast food nunca mais. Você teria orgulho de mim. Tá vendo? No final de tudo eu acabo voltando o assunto pra você, mesmo quando a intenção é exatamente oposta. Renovei meu guarda-roupa jurando que isso seria o start pro meu recomeço. Não foi. Então eu comecei a aceitar os convites pra ir pra balada, mas cansei depois de me dar conta de que eu passava a noite toda procurando por você. Topei sair com alguns caras que não saiam do meu pé, mas ficava nítido que eu só estava fazendo aquilo pra te esquecer, só pra poder postar que finalmente eu tinha achado alguém que valia a pena e ter ver se retorcer de ciúmes.

Bloqueei todas as suas redes sociais pra que eu não pudesse mais saber sobre você, tinha lido em algum lugar que desse jeito seria muito mais fácil me curar de nós e te apagar de mim, mas eu continuava fazendo o mesmo caminho que cê faz pra voltar do trabalho só pra correr o risco de te encontrar, continuei indo às mesmas festas e frequentando os mesmos lugares torcendo pra que você estivesse lá, só pra ver se me olhando direito teus pelos também não arrepiavam. Mantive contato com os seus amigos e soube por intermédio deles que cê já tinha uma nova pessoa andando ao seu lado. Eu falhei todas as vezes que tentei te manter longe, até que depois de beber um pouco mais em uma dessas noites eu resolvi te desbloquear e adicionar de volta. Agora ele vai ver que eu to me divertindo, dizia pra mim mesma tentando me convencer de que isso não tinha nada a ver com a saudade que eu sentia de acompanhar a sua vida.

Passei a postar foto todo dia, sempre maquiada, com cerveja na mão e frase de superação, tudo pra esconder que na verdade eu tava era na merda, numa merda grande e fedida que tinha o seu nome. O rímel forte deixando os olhos bem marcados escondia o quanto eu chorava quando o álcool fazia efeito, não sei quantas mensagens já te mandei quando o desespera bateu, mas sei que nenhuma delas foi respondida, você sequer se deu ao trabalho de visualiza-las. Melhor assim, eu sei. Eu tentei de tudo: mudei meu jeito, o visual, até novos amigos eu fiz, mas isso não te fez sentir a minha falta, fui pra lugares diferentes, perdi madrugadas na pista de dança e a minha dignidade nesses banheiros vomitados, mas nada trouxe você de volta pra mim. Eu ainda não sei como faço pra te esquecer, mas percebi que não é tentando provar pros outros que eu to bem. Não to não, mas quer saber? Eu tenho certeza de que vou ficar.

*imagem via weheartit

4 comentários:

  1. Nesse texto vc relatou muito a situação em que vivo, e em outras partes o que pretendo fazer!

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  2. teus textos sempre me roubando o fôlego.

    e teu blog cada vez mais lindo <3

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  3. Definição do estado em que me encontro, embora já esteja com outra pessoa a anos, não consigo esquecer :/

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.