Nova Perspectiva

2 de março de 2016

Leitura na palma da mão

Todo apaixonado por livros sabe que conciliar a leitura com as obrigações do cotidiano não é tarefa fácil. Mas já pensou que prático (e interessante!) seria se o seu celular recebesse diariamente textos de autores renomados? 

Com o objetivo de facilitar o acesso ao universo literário, o projeto Leitura de Bolso criou a oportunidade para as pessoas lerem usando o WhatsApp. Funciona assim: o interessado visita o site do projeto e faz um cadastro usando um número de celular que tenha o aplicativo WhatsApp. A adesão ao Leitura de Bolso é simples, gratuita e segura porque o telefone do participante é mantido em sigilo.

Como geralmente as pessoas não leem porque possuem receio da grande quantidade de páginas dos livros, cada leitura do projeto tem no máximo cinco minutos de duração e, após realizar o cadastro, é só aguardar para receber um novo texto todos os dias.

Achei a iniciativa do Leitura de Bolso muito interessante e me inscrevi para conhecer o projeto. O primeiro texto que recebi foi "No varal", crônica do Mário Prata. Compartilho o material abaixo. E você, o que achou da iniciativa? Quer participar? Então clique AQUI e se inscreva. 


No varal [Mário Prata] 

– Seu Mario, tá precisando de prendedor de varal, pra roupa.

Seu Mario sou eu, que nunca comprei prendedor de varal. Nem sei onde vende.

E muito menos, quanto custa.

Dei um dinheiro e pedi para ela comprar e trazer no dia seguinte.

No dia seguinte vejo a novidade no varal segurando meias, cuecas e lençóis.

E me surpreendo com a novidade.

– Mas o que que é isso?

– Os prendedor…

– Mas de plástico? Prendedor de varal de plástico, Gorete?

A Gorete não estava me entendendo. Ela não entende muita coisa que eu falo.

– Qual o problema, seu Mario?

– Isso, aí, prendedor de varal, era o que havia sobrado da minha vida, da minha infância, Gorete. Depois que acabaram com o quebravento dos carros, me restava o prendedor, mulher! De madeira! Você está entendendo? O leite não vir em vidro, tudo bem, a laranjada já vir espremida, é até legal. Mas o prendedor de plástico, não! Mil vezes não!

Rosnei e fui para a sala. Não me conformava. Voltei de novo pra lá.

– Tire esse troço daí. A casa é minha, o varal é meu, a roupa lavada é minha. Portanto, joga essa porcaria no lixo e compra de madeira. De madeira, sem pintar, hein! Sem pintar!

– Onde?

– Não me traga problemas, traga-me soluções, falei como diria o Boni, da Globo.

Ele não entendeu a extensão da coisa.

– O senhor vai me desculpar, mas só vende de plástico. Faz muito tempo que eu não vejo de madeira. Tem mais, não.

– Tem, sim senhora. Em feira, tem.

– Nossa, seu Mario! O senhor hoje tá, hein!

E eu fico aqui, olhando para os prendedores de plástico (ainda estão lá, azuis, cor-de-rosa, verde piscina, um horror) que não têm o menor charme, não têm ainda história. Um mundo de plástico.

3 comentários:

  1. Caraca! Super amei a ideia, é otimo pra quem quer começar a ler e tem aquela preguicinha, e claro que ja fiz meu cadastro kk

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    1. Fico feliz que você tenha gostado :) Fica bem mais prático ler desse jeito. Vale a pena ter. Mas não abandone os livros físicos rsrsrs Beijos!

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  2. Caraca! Super amei a ideia, é otimo pra quem quer começar a ler e tem aquela preguicinha, e claro que ja fiz meu cadastro kk

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.