Nova Perspectiva

12 de março de 2016

As minhas notas sobre ela

Via reprodução
Zack Magiesi que me perdoe, mas chegou a minha vez de falar sobre ela. Mas ela quem? Você deve estar se perguntando. Bom, ela que é ela, e só, somente, ela. Ela que ri com os olhos transbordando de uma melancolia doída de quem sofre em silêncio porque acredita que gritar o sofrimento pra vida só faz doer mais, então ela berra alegria, mesmo quando parece não haver felicidade alguma, e desse jeitinho parece que a dor fica menor.

Ela que é louca, louquinha, dessas de pedra que dançam na chuva e abraçam árvores e conversam com cachorros na rua. Ela que senta na calçada e dá risada alta e que acha lindo quando o vento despenteia o seu cabelo. E é. Ela que faz voz de bebe quando fala com criança e sorri com os olhos antes mesmo de sorrir com os lábios. Ela que não dorme com a televisão ligada, mas se esconde do escuro pra não se perder dentro da própria alma.

Ela que acorda meia hora mais cedo pra dar tempo de tomar café, bem amargo amor, por favor, ela diria. Ela que não foge de quem desiste, mas fica em quem insiste. Ela que não tem medo nenhum de ser, seja lá o que for, flor, dos jardins bonitos que a vida faz brotar dentro dos nossos corações. Ela que brotou em mim. Ela margarida, que é sempre bem-me-quer. Quero. Ela que sapateia pelos dias como se tudo não passasse de um espetáculo em que é protagonista.

Ela que não esconde as cicatrizes, mas ostenta no olhar a coragem de quem sabe que a vida, no fim, dá voltas bonitas e faz tudo se encaixar. Ela que fala mais que os cotovelos e te faz perder a hora e querer ficar um pouco mais. Ela que te vê daquele jeito de quem sabe de tudo, antes mesmo que a gente saiba que ela tem os segredos do mundo. Ela que transforma garoinha em tempestade, ventania em bonança e qualquer sentimento em amor. Meu amor.

Ela, que não é minha, porque é só dela.

Pra ela. 

Dele. O seu eterno moreno.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.