Nova Perspectiva

4 de fevereiro de 2016

O nome da morte

Título: O nome da morte
Autor: Klester Cavalcanti
Editora: Planeta
Páginas: 245
Inesquecível. Essa é a palavra mais apropriada para descrever o livro "O nome da morte - A história real de Júlio Santana, o homem que já matou 492 pessoas". Escrita pelo jornalista Klester Cavalcanti, a obra conta a história de um pistoleiro profissional que nos últimos 35 anos assassinou quase 500 pessoas. Júlio Santana, o protagonista do livro, bem que poderia ser um personagem de ficção, mas ele existe de verdade e tem endereço e família.

Depois de matar, Júlio Santana reza dez ave-marias e vinte pai-nossos para pedir perdão. Tem medo de acabar no inferno. Foi assim após atingir no Araguaia, em 1972, a jovem guerrilheira Maria Lúcia Petit, na mesma época em que acertou de raspão e auxiliou na captura do futuro político José Genoino. E foi assim também depois de matar as outras quase 500 vítimas registradas num caderninho do Pato Donald. Sem ideologia, Júlio mata por ofício. Uma profissão que aprendeu em família, com seu tio Cícero, que lhe passou um trabalho aos 17 anos. 

Mas contar a história de um assassino profissional não é tarefa fácil. Foram necessários sete anos de conversas para que Júlio Santana autorizasse o escritor Klester Cavalcanti a colocar o seu verdadeiro nome no livro. "Na primeira vez em que nos falamos, em março de 1999, ele concordou em me contar sua história, mas não queria revelar sua identidade nem permitir que eu, ou qualquer pessoa, o fotografasse. Nada mais compreensível. O homem com quem eu passaria a conversar a partir daquele dia, a uma média de uma entrevista por mês, é um assassino profissional. Das 492 mortes, 487 foram devidamente registradas num caderno, com data, local do crime, quanto ele recebeu pelo serviço e, o mais importante, os nomes dos mandantes das vítimas", conta o jornalista Klester logo na abertura do livro.

O que faz de "O nome da morte" uma obra inesquecível é a profundidade com que o autor mergulha na história de Júlio. Klester não se limita apenas a reproduzir as palavras do matador e, a partir do que ouve, faz um trabalho de reconstituição de cenas, diálogos, paisagens, gestos e sensações. Cabe ao leitor fazer o julgamento e decidir se Júlio Santana é mocinho ou vilão. Mas uma coisa é certeza: Júlio é um personagem memorável.


Júlio Santana costuma dizer que só não vive totalmente em paz porque, de vez em quando, ainda sonha com algumas de suas vítimas. Na última vez em que isso aconteceu - no dia 6 de setembro de 2006 -, acordou suado, no meio da madrugada. Passou as costas da mão na testa molhada e foi deitar numa das redes do terraço. No pesadelo, tinha visto o rosto ensanguentado do garimpeiro João Baiano, o rapaz de 19 anos a quem matou por engano, em Serra Pelada, em 1982. Júlio acredita que ainda tem esse tipo de sonho por não ter sido totalmente perdoado de todos os crimes que cometeu. Quando isso acontece, ele reza as dez ave-marias e os vinte pai-nossos que, conforme aprendeu com o tio Cícero, deveriam lhe trazer o perdão. E volta a dormir.

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