Nova Perspectiva

20 de fevereiro de 2016

O amor tem hora certa

Via reprodução
Logo eu que achei que já estava vivendo aquela fase em que deixamos de ver graça nos contos de fada e de ter o sono perdido por esses amores café com leite, me peguei sonhando acordada com o seu sorriso enquanto engolia a nossa imagem refletida no teto branco do meu quarto e tateava inutilmente pela sua mão ao lado da minha. Foi então que, de repente, eu me dei conta da vontade descontrolada que eu sentia de que você estivesse ali, pra que eu pudesse deitar com a cabeça no seu ombro e me afundar no seu cheiro até esquecer que existe um mundo além do seu abraço.

Logo eu que jurava ter fechado o estômago pra hóspedes barulhentos fui invadida por uma família de borboletas alvoroçadas que tiraram todos os móveis do lugar. Achei que já tivesse passado da fase de sentir os pés saírem do chão e os pensamentos irem parar nas nuvens, mas de um dia pro outro minha atenção parece ter ficado menos atenta ao que me cerca e mais concentrada no nosso gosto. Perdi algumas madrugadas desde que me encontrei dentro de você, perdi um pouco das minhas certezas também. E deixei que um pouco de nós virasse muito de mim e agora tem você em cada canto que eu olho.

Logo eu que tinha cansado de esperar pelo príncipe encantado no cavalo branco, que fui me embrutecendo e me fazendo acreditar que aquela coisa não era pra mim, porque nem todo mundo nasceu pra viver um grande amor e talvez eu fosse uma dessas pessoas que não merecem viver uma história de cinema. Logo eu que achava já ter aposentado o coração e desistido dessa coisa que faz a gente se descontrolar e ver graça nessa loucura, comecei a querer que a gente desse certo, ou desse em alguma coisa, qualquer coisa, que pudesse me fazer ter fé em um final feliz.

Logo eu que tive de aprender a me bastar sozinha, porque eu tentava me preencher com gente vazia e aquilo não tava dando certo. Logo eu que quis me enganar com alguns caras errados e me convenci algumas vezes de que tinha encontrado a pessoa certa, mas nada daquilo era de verdade porque nenhum deles fez meu coração disparar e as mãos tremerem e o coração subir até a garganta como você faz. Nenhum deles me fez acreditar que o amor existe, sim, e que ele pode ser bonito. Até que você chegou e me descompassou sem que eu tentasse, ou quisesse, te impedir.

Eu já chorei muito rapaz, chorei porque eu não entendia o que tinha de errado comigo. Não foi fácil, mas eu acabei vencendo esse teste. E passei de ano. Então comecei a acreditar que ele não vinha mais, sabe? Ele, o amor. Achei que eu não ia ter a chance de conhece-lo nesta vida e não tinha problema porque eu podia ser feliz comigo mesma, mas em um final de semana ensolarado você tocou a campainha pedindo um copo de açúcar e eu pedi pra que você me levasse junto porque eu já tinha me prendido nos seus olhos.

O amor tem hora certa, não adianta lutar contra. Ele vem quando tem de vir, pode bater o pé, fazer drama, gritar, se não for pra ser, vai ter que ficar pra próxima. Talvez isso não soe tão poético quanto é, mas não se engane: amar é como viver dentro de uma poesia. Descobri isso depois que mudei a trilha sonora da minha vida por músicas feitas pra dançar juntinho, e a gente vai dançando por essas avenidas afora sem deixar que as nossas mãos se percam uma da outra e entre um giro e outro a gente se acha numa troca de olhar e vê todo o passado fazer sentido.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.