Nova Perspectiva

12 de fevereiro de 2016

É culpa das marcas que eu carrego comigo

Via reprodução
Eu sei que você não entende toda essa minha insegurança, afinal, como poderia entender se eu nunca tentei te explicar? Acontece que aqui dentro de mim é tudo muito mais confuso do que parece, eu levei um tombo grande amor, desses que a gente não esquece tão fácil, e, apesar de todo este tempo, eu ainda não consegui me recuperar. Teve uma vez em que eu acreditei com toda a minha força que ia dar certo. Depositei toda a minha fé em um cara que parecia ser o príncipe encantado dos sonhos, entreguei pra ele o meu coração e nem me preocupei em pedir uma garantia de que ele voltaria inteiro, confiei que estava tomando a decisão certa, mas eu me enganei. Não podia ter escolhido pessoa pior pra apostar.

Poucas dores doem mais do que a de uma traição, é o tipo de marca que a gente não apaga de nós. Meu corpo queimou de dentro pra fora quando eu vi o meu conto de fadas ruir, foi horrível descobrir que o meu príncipe tava mais pra lobo mau. Ele nem tentou se explicar, só envio de volta o meu amor todo estraçalhado embalado num pacotinho fajuto, sequer me mandou um pedido de desculpas ou uma caixa de bombom pra amenizar a situação, só bateu o pé como se tivesse com a razão. Fui embora, porque mesmo fraca eu nunca deixei de ser forte, mas não foi fácil me levantar deste tombo, talvez nunca se torne simples sair de uma situação assim e é disso que eu tenho medo.

Levei um bocado de tempo pra voltar a ficar em pé, achei que nunca mais deixaria de chorar e de me lamentar por ter caído em uma cilada tão óbvia, mas as coisas foram amenizando com o tempo e eu achei, até, que tinha superado, mas a questão, amor, é que disso tudo ficou uma dificuldade terrível de confiar de novo. Quando você apareceu e eu me apaixonei tive medo de mostrar o quanto eu tava apavorada, tentei ser segura e confiante, pra isso eu fingi que não tinha nenhum hematoma pra que você conhecesse, só que na verdade a minha alma é toda machucada. Eu sou toda remendada. Tenho pânico de pensar em te perder e eu sei que isso te assusta, mas eu não aguentaria mais um tombo daqueles.

Acredito em você, acredito em nós dois, mas as marcas que eu carrego comigo funcionam de alerta e eu não sei como impedir que elas acendam quando eu corro algum risco. Não que eu corra algum ao seu lado, mas gato escaldado tem medo de água quente e eu não consigo esconder o meu pavor quando o tema é amor. Pode ser que você nunca consiga, de fato, entender tudo isso, só te peço um pouquinho de paciência, mais um pouquinho, porque eu vou vencer essa minha mania de fugir, mas preciso que você não saia do meu lado, preciso que você segure com força a minha mão e não desista, porque se você jurar que ainda vai estar aqui eu não vou desistir também.

Um comentário:

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.