Nova Perspectiva

1 de janeiro de 2016

O que 2016 espera de mim

Via reprodução
Os fogos explodem acima da minha cabeça enquanto eu viro garganta à baixo o vinho que ocupa metade da taça de cristal. Dois mil e quinze dá adeus discretamente e sai de mansinho, tentando não atrair ainda mais olhares, no fundo ele sabe que já causou estrago demais nos últimos 365 dias. Já vai tarde, alguns dizem, sorrio, pra mim ele vai na hora certa, como algo ruim que dura o necessário pra se tornar bom. E se tornou, mas agora é tempo de coisa nova. O relógio pendurado na parede, com os seus ponteiros exuberantes, aponta que já são meia noite, lá fora o barulho ensurdecedor anuncia que já é um novo ano. Dois mil e dezesseis, digo em voz baixa, mais pra mim que para o mundo. E a vida nos dá mais uma chance.

Corro pra janela e acompanho o show se encerrar, as pessoas se abraçam e brindam e comemoram a abertura de um livro novinho, opulento, clamando pra ser escrito. Não é só mais uma madrugada, não é só mais uma virada, é a oportunidade de escrever a vida com uma letra diferente. É a oportunidade de ser diferente, de todas as formas. Analiso com calma quais serão minhas próximas metas, penso em possíveis promessas, traço estrategicamente o que eu vou desejar para os próximos meses e reflito sobre o que eu espero do ano. Lembro de como 2015 foi difícil, de como eu quis correr e me esconder do mundo uma porrada de vezes e cogito pedir pra que este novo ano seja melhor, mas me calo antes de pronunciar qualquer palavra, eu sei, no fundo eu sei, que não é ele quem tem de ser melhor, sou eu.

Dois mil e dezesseis já fez a sua parte me dando 366 dias em branco, 366 dias prontinhos para serem preenchidos, só que quem escolhe o que vai estar neles sou eu. E eu escolho da maneira como preferir. Entende? Não é culpa dele se as coisas não andarem da forma como eu planejei, nem se o inverno for mais frio que o normal ou se o verão durar mais que quatro meses. Não é culpa dele se eu não encontrar aquele estágio dos meus sonhos, se o amor da minha vida não chegar antes de eu ir embora e nem se eu acabar me perdendo no meio do caminho. Não é culpa dele se as metas forem esquecidas e os planos trocados e o meu projeto de 2016 não servir mais pra 2016. Não é culpa dele se tudo mudar, e eu também. Não é culpa dele, porque, e só porque, quem faz o nosso ano somos nós mesmos.

Espero muito desses próximos meses, confesso, mas não sei se é isso o que eles esperam de mim. Não sei o que é que a vida tá esperando que eu faça com esse novo livro, talvez ela espere que eu saia correndo e jogue tudo pro alto, talvez ela esteja esperando que eu me jogue mais sem ter tanto medo de onde é que vou cair, talvez ela queira que eu tenha mais paciência e Fé e respire muito antes de pirar. Talvez seja um monte dessas coisas, ou então não seja nada disso. Eu não sei direito o que me espera — nem o que eu deveria esperar. Por isso não farei metas, nem planos, nem projetos, mas farei o seguinte: vou ligar aquele sonzinho gostoso, separar alguns sorrisos bonitos e preparar alguns lenços pra colocar na bagagem, afinal, em 366 dias muitas lágrimas podem rolar e não tem problema nenhum nisso, desde que todas elas sequem com uma risada feliz no final.

Dois mil e dezesseis tá só começando e eu ainda posso surpreender e me surpreender muito. É isso que eu espero. E talvez seja o que ele espera de mim, também. Menos razão e mais emoção. Menos pé no chão e mais coração nas nuvens. Por que não? Dessa vez eu quero que seja diferente, e vou fazer ser. Dessa vez eu não vou esperar nada desse novo ciclo no calendário, dessa vez sou eu quem vou mostrar o que é que a vida não perde por (me) esperar.

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