Nova Perspectiva

31 de janeiro de 2016

Eu te quero e isso não tem nada a ver com amor

Via reprodução
Te quero sem medo, sem coerção, sem força. Te quero sem promessas, sem buque de flores e declarações de amor. Te quero sem presa, sem onda, sem doce, sem show. Te quero de forma simples e direta e prática. Te quero pra ontem e hoje e depois. Te quero agora. Te quero por hora. Te quero até não querer mais. Te quero querendo que você me queira também. Te quero despenteado, desarrumado, suado. Te quero sem pra sempre, sem final feliz, sem beijo de despedida. Te quero deitado na minha cama com a barba no meu pescoço e as mãos brincando de subir e descer na minha coluna. Te quero assim, sem jeito, de jeito.

Te quero enquanto a gente se quiser, enquanto pudermos querer. Te quero por um tempo, até o tempo começar a se perder e deixarmos de nos ter. Te quero acordado, ao meu lado, com um café bem amargo e aquele seu sorriso de enlouquecer. Te quero despido, de corpo e de alma. Te quero até mais tarde. Te quero como poesia, lendo Clarice e ouvindo Lenine. Te quero. Te quero até mais tarde. Te quero por diversão, por tesão. Te quero sem contos de fada, sem projetos e planos e armadilhas. Te quero sem jogo, sem trapaça, sem artimanha. Te quero por completo, sem metade, sem conta gotas. Te quero de uma vez. Te quero em um gole.

Te quero assim. Te quero aqui. Te quero inteiro, jogado nas minhas almofadas com a cabeça no meu ombro e os olhos fechados, te quero sem pedaços, em pedaços. Te quero atirado no chão da sala puxando meu corpo pra cima do seu. Te quero em mim. Te quero com um vinho e um blues e um texto de amor. Te quero rodopiando comigo pela casa. Te quero no céu e no inferno. Te quero na mesa e na cozinha e no banheiro. Te quero escovando os dentes e saindo de mansinho sem bater à porta. Te quero a madrugada toda. Te quero em silêncio, sem segredo. Te quero com caos, com grito, com força. Te quero pra mim.

Te quero, mas isso ainda não tem nada a ver com amor.

Um comentário:

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.