Nova Perspectiva

11 de janeiro de 2016

Eu sou a mulher da minha vida

Via reprodução
Eu cansei, é isso mesmo que você está ouvindo, estirei a bandeira branca e tirei o meu time de campo porque eu tava exausta demais pra continuar esse jogo. Eu cansei de engolir o choro por rapazes que não mereciam todo aquele meu esforço. Cansei de olhar e sorrir com o coração dilacerado por alguém que não valia sequer o preço do conserto. Cansei de correr atrás de quem só corria de mim e de acreditar que um dia ainda vai ser, talvez seja, quem sabe? Mas eu não fico mais esperando pelo tal do cara certo. Perdi tempo demais com quem não estava disponível pra me doar nem cinco minutinhos, implorei aos prantos por alguém que clamava pelo meu silêncio e quase morri um punhado de vezes por caras que nem valiam todo o meu drama. Eu agi feito menina mimada batendo o pé por não conseguir o que eu queria, fui me definhando por amores mais falsos que nota de três reais e fui parar no fundo do poço, foi ai que eu pude perceber que quem estava me enfiando lá era eu mesma.

Eu permiti que o meu mundo fosse posto do avesso pra que eu pudesse me adaptar em quem não se adaptava em mim. Permiti que minhas horas fossem dedicadas para caras que nem sequer me enviavam uma mensagem de boa noite e nem me importei de ruir aos poucos pra sustentar histórias que só existiam na minha cabeça. Eu permiti que a situação se tornasse crítica o bastante pra causar pena em quem me assistia protagonizar todo esse espetáculo. Eu permiti que tudo viesse abaixo, inclusive eu. Eu permiti que doesse até eu ter vontade de fugir de dentro de mim sem nem ter noção do estrago que eu tava causando na minha vida. Eu permiti quando deixei que ele voltasse sabendo que nada mudaria, permiti quando me forcei a acreditar naquelas promessas que no fundo eu sabia serem da boca pra fora, eu permiti quando fiquei tão desesperada pelo homem da minha vida que não consegui impedi-lo de acabar com ela. Eu achei que precisava de alguém pra ser feliz, então engoli a minha infelicidade só pra não precisar ficar sozinha, mas aquela situação toda já estava insuportável.

Eu fui embora no dia em que vi no reflexo do espelho um pedaço de nada refletindo o que deveria ser eu. Fui embora porque aquela luta incessante pelo cara da minha vida não estava dando em nada, mas tava me destruindo aos poucos. Fui embora porque não aguentava mais depender emocionalmente dos outros. Eu não podia viver mendigando amores que nem existiam. Eu fui embora porque já não conseguia mais esconder que não acreditava mais que dava pra ser feliz daquele jeito. Não dava. E eu queria ser, por isso sai correndo pra qualquer lugar que me fizesse lembrar como é bom ser livre dos outros. Eu fui buscar a minha independência emocional, fui atrás daquilo que eu tinha abandonado à muito tempo, o meu amor próprio. Fui atrás e me esfolei um pouco enquanto procurava, mas achei e me lembrei de que eu posso me fazer sorrir sozinha. Eu sempre vou ter alguém pra jantar enquanto eu puder contar comigo mesma. E agora eu posso. Posso porque eu finalmente aprendi que nunca estou sozinha, a solidão não existe pra quem vive bem consigo mesmo. Por isso eu fiz as pazes com meu eu interior e ando saindo de mãos dadas com ele por ai.

Talvez o homem da minha vida esteja em algum lugar me procurando, perdido por essas esquinas que a vida coloca pra dificultar o nosso caminho, mas também pode ser que ele tenha desistido dessa história e esteja com alguém mais interessante e que goste de filmes clássicos e café adoçado. Por que não? Quem sabe dia desses a gente não se esbarra sem querer querendo e acabamos ficando um no outro? Talvez ainda dê certo, mas eu não quero mais nada pelo qual eu precise lutar. Se envolve disputa, falta amor. E eu não preciso mendigar nada de ninguém, não preciso brigar por nada que não seja meu, não preciso ficar correndo em busca de alguém pra ser o meu maior amor, eu já sou a mulher da minha vida. E isso tem sido o suficiente.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.