Nova Perspectiva

28 de janeiro de 2016

A gente não perde nada em arriscar

Via reprodução
Reviro no sofá tentando achar uma posição um pouco mais confortável pra finalizar o filme que eu peguei pela metade em um desses canais pagos, mas a mente está inquieta demais pro corpo se acalmar. Não consigo prestar atenção, por mais que eu lute, e já não sei mais quem foi que matou quem e por quem eu devo torcer no final. Tudo parece confuso, e, de fato, está. Aqui dentro a desordem toma conta dos meus pensamentos e eu só consigo enxergar o seu nome no visor do celular. O que será que você está fazendo agora? Onde será que você está agora? Penso no quanto eu queria estar contigo e sinto uma vontade imensurável de te enviar uma mensagem.

Digito sem saber direito a razão “Que tal um cinema dia desses?”, mas apago antes de ter coragem de enviar e encaro o teto buscando por alguma resposta do além pra curar esse meu medo do seu silêncio como única resposta. Já faz dias que você sumiu e eu não sei o que fazer, nem como fazer, pra você voltar, mas repito pra mim que ir atrás não é a melhor opção. Não pode ser. Mas se não for isso o que é o certo? Sentar e esperar? E se você nunca mais vier? Vai ter sido só isso e ponto final? Acabamos? Refuto a ideia. Não quero aceitar que essa história e que o que nós vamos ser só depende de você. Eu sei que preciso fazer alguma coisa, mas a possibilidade de que isso vá te fazer fugir me impede.

Tento agarrar o pouco da sanidade que me resta e me pergunto o que é que eu vou perder se arriscar, se me jogar nessa história e correr atrás do que eu quero. Nada, constato. No máximo uma ou duas noites de choro caso você não responda ou então dê alguma desculpa que torne nítido que cê não tá mais querendo viver esse romance. Mas eu posso ganhar a gente, posso ganhar um dia ao seu lado e a chance de provar que eu não sou uma menininha assustada esperando o cara tomar a iniciativa. Eu não quero esperar. Redigito a mensagem. Respiro fundo. Envio. Suspiro profundamente e volto a lutar para me concentrar no filme.

Reparo no quanto a trilha sonora é ruim e imagino os seus possíveis comentários sobre isso. Mais alguém morre e dessa vez eu acho que era o mocinho, uma mulher chora e eu não consigo lembrar se ela era a mulher ou a amante ou a irmã do cara. Não importa. Olho o relógio, tá tarde e eu to sem sono. Volto a ver a televisão, um casal se abraça e se beija e ele acaba e eu ainda não entendi direito o que foi que aconteceu, mas alguma coisa deu certo, porque, quando é pra ser, não precisa fazer muito sentido, não é!? O celular vibra. O coração acelera. “Claro, amanhã, às 20:00 horas, pode ser?”.

É claro que pode.

Um comentário:

  1. No meu caso eu perdi as esperanças de tanto arriscar, acho até que eu vim ao mundo apenas pra ser iludida, talvez tenha algo de errado comigo,talvez seja trouxa demais, não sei D:
    "T."

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.