Nova Perspectiva

6 de outubro de 2015

Fica aqui

Via reprodução
A madrugada engole as horas que voam pelo relógio pendurado na parede do quarto, do lado de fora da janela o movimento aumenta gradativamente, pessoas passam apressadas, por medo ou necessidade, quem sabe? Enquanto o mundo caótico e indiferente acorda eu te observo dormir, você carrega no rosto o semblante sereno, de quem guarda dentro de si a paz que faltava dentro de mim. Que bom que os nossos caminhos se encontraram, rapaz, sem você aqui comigo seria mais difícil de aguentar os trancos da vida e continuar em pé. Passo os dedos despenteando ainda mais o seu cabelo bagunçado e você sorri com os olhos fechados, ainda adormecido, fazendo com que eu me desfaça em mil pedaços.

Eu sinto medo, sabe? Disso acabar quando o celular despertar o grito do mundo real e formos atingidos com uma pancada no estômago chamando os nossos pés para o chão. Tenho medo de que o concreto seja pesado demais pra sustentarmos por muito tempo nas costas o peso de um amor como o nosso. De que você vá embora antes que eu consiga te pedir pra ficar, ou que o meu pedido não seja o suficiente pra te fazer largar a mala no chão e se mudar pro meu abraço. Eu sinto medo do meu amor não ser suficiente pra aquecer a nossa história, tenho medo de que o seu seja só mais uma dessas jogadas de mestre de um colecionador de corações partidos. Tenho pânico da ideia de que nada seja verdade, porque eu sou, e o que eu sinto também.

A luz do dia começa a atravessar a cortina e daqui a pouco seremos devorados pela rotina dura de quem acorda cedo e dorme tarde. De quem vive esperando o fim do dia chegar só pra encontrar certo alguém. E tento dissipar os meus medos, afasto a possibilidade de chegar em casa e não te encontrar me esperando com um vinho aberto e a nossa música no fundo de trilha sonora pra gente dançar meio embriagados pela casa. Vou me agarrando a certeza de que não importa se a nossa conta não é exata e se você é de touro e eu sou de libra. A gente combina, sim, não importa o que a astrologia diga ou o que a cartomante preveja, eu posso garantir que nessa história, o nosso final é feliz. Sussurro um pedido quase emudecido no seu ouvido antes que você acorde, te peço pra que você fique aqui comigo, mesmo se tudo conspirar contra, mesmo se parecer que vai dar errado, se a gente quiser, mas quiser muito, a gente pode ser o que desejar. E eu quero.

O alarme toca, respiro com força tentando tragar os últimos segundos dessa cena. Você acorda, se espreguiça com calma, depois me olha de canto e eu me acho aí, dentro dessa imensidão esverdeada. E me perco, no mesmo instante, em você. E percebo que, ao mesmo tempo, você também se perde em mim. E a gente se acha, um no outro. Pra sempre. E então eu sei: você fica. E eu também.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.