Nova Perspectiva

2 de outubro de 2015

Eu sempre amei você

Via reprodução
Hoje eu acordei com vontade de te contar tudo o que eu tenho guardado pra mim desde que eu resolvi te esquecer. Tudo o que eu evitei deixar sair ao longo desses anos todos em que eu fingi não me importar com a sua falta, por causa desse medo bobo de parecer frágil demais para os outros. Eu tentei ser mais forte do que eu sou, por um tempo a tentativa até deu certo, atingi olhares de admiração e servi de exemplo pra uma porrada de gente que acredita nesse tal de desapego emocional, mas eu nunca combinei com essa pose pesada de rocha, eu sou como um dente-de-leão no meio da calçada fria e me desfaço com o menor dos ventos. Não sou forte, amor, nunca fui. Eu sou fraca, despedaço com o menor esforço. Despedaço com o menor amor.

Hoje, acordei com saudades da sua voz e quis te ligar. Senti necessidade de tragar o tom grave que você tem ao atender o telefone, jogar um papo fora, ganhar meia hora mais leve no dia, sei lá, só queria falar com você, mas seu número já não é mais o mesmo. Nem você. O que é uma pena. Nós mudamos muito ao longo desses anos em que estivemos nos afastando, só não mudamos um do outro. Disso eu tenho certeza. Eu deixei você ir enquanto você me deixava partir, e nessa briga de ego de quem prende mais e solta primeiro, nós nos perdemos. Um do outro e dos nossos caminhos, também. Ninguém saiu ganhando. Eu me fechei nesse mundo nublado de quem ama o clima nostálgico do inverno e recusa a cerveja extra no bar, pra não começar a falar de amor, e você entrou nesse universo de quem bebe duas doses de vodka de uma vez enquanto passeia pela balada cercado de garotas sem nome, pra parar de falar de amor. Continuamos fugindo daquilo que fez com que fugíssemos um do outro.

Hoje eu queria contar que eu te amo. Sempre amei. E depois desses anos, ganhei certeza de que vou amar pro resto da vida. Hoje eu queria te dizer que o cara certo era você e que eu sei que era a garota certa, mas a gente decidiu jogar em vez de amar e não há nada pior que transformar amor em uma partida de poker. Cada um do seu jeito, criamos estratégias, armamos armadilhas, trapaceamos, muito, durante o tempo todo, e tudo isso só pro outro se entregar primeiro. Só pra que não fôssemos o primeiro à dizer o que sentia, à chorar de amor, à cair de joelhos pelo outro. Tudo isso pra que o nosso tudo virasse um nada demasiadamente dolorido, ardido, apertado. Tudo isso pra que a gente se destruísse, virasse nada. Tudo isso pra gente acabar sem ter tempo de falar o que mais importava: eu amo você. Sinto muito por ser tarde demais. Sinto muito por ter sentido tanto e não ter conseguido dizer. Sinto muito, por ainda sentir e saber que você sente também. O nosso amor ainda existe, todo mundo vê, a gente só finge que não enxerga pra ser maior que a nossa história, mas, meu amor, hoje eu acordei sem me importar em ser pequena. Ao teu lado, não importa o meu tamanho. Nem a minha força. Nem o meu ego inflado. Importa, somente, a facilidade com que eu solto o meu sorriso e ele se encontra com o seu.

Hoje eu to tirando meu time de campo e queria que você tirasse o seu também. Sempre dá pra amar um pouco. E a gente se ama muito, então porquê não? Vamos, dessa vez sem jogo, sem mentira, sem trapaça, se você quiser, eu vou estar te esperando. No mesmo lugar de sempre.

2 comentários:

  1. Engraçado que a gente lê e se encontra aqui, exatamente da mesma maneira e dói, dói lembrar que as vezes o amor chega, se faz presente e nós o deixamos escapar por simplesmente ser bobo demais e ter medo de assumir que é isso é bom, é legal, é saudável. A gente se sabota e depois fica se lamentado. Esperando e acreditando na promessa de que o que for pra ser, será. Enfim.

    O texto ficou ótimo.
    Boa noite, bjos.

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    1. Sempre com comentários lindos ♥
      Obrigada, beijocas

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.