Nova Perspectiva

12 de outubro de 2015

Eu decidi ser feliz

Via reprodução
Tem gente que diz que a vida é feita de altos e baixos, se isso é mesmo realidade, eu to desafiando a regra e vivendo um momento plano. A verdade é que eu estive em queda livre durante tempo suficiente pra me esquecer de como é com sentir a segurança do chão embaixo dos pés, faziam meses que eu não lembrava de como é bom caminha com a certeza de que o mundo não vai desabar na próxima esquina ou que o céu não vai vir abaixo na próxima tempestade. A vida fica leve, quando a gente aceita que não precisa fazer dela um filme de aventura. Depois de bater por um longo período com a cabeça na parede e contrair algumas enxaquecas intermináveis, tentando achar um jeito de escalar essa montanha íngreme ao seu lado, resolvi enfrentar a caminhada sozinha. Se tua mão nunca quis se enlaçar na minha, não tinha porquê eu insistir pra percorrer essa trilha contigo.

Levantar e dar o primeiro passo foi a parte mais difícil. Doeu um pouco quando eu olhei pro lado e percebi que o espaço ocupado por quem antes era tudo, se tornou um vazio oco, que faz um eco mudo dentro da gente. No começo, eu cultivei um fiozinho bem pequeno de esperança que vociferava na minha cabeça que cê voltaria assim que percebesse que também queria ficar comigo. Porque, inconscientemente, eu ainda queria ficar com você. No fundo, eu nunca fui muito boa com esse negócio de ser racional, você sabe, sou coração no corpo inteiro, por isso foi penoso admitir que você não ia voltar e que eu precisava continuar andando. Eu não podia te esperar pra sempre, já não aguentava mais juntar meus caquinhos toda vez que você pedia para que eu te esperasse só mais um pouquinho, como se eu já não tivesse te esperado a minha vida toda.

Quando a gente precisa implorar o amor do outro é porque já deu errado, e eu não podia mais estar em uma relação que só rolava para baixo. Eu já não tinha mais força para lutar em uma guerra perdida, cada músculo do meu corpo implorava por paz e você não podia traze-la para mim. Você era o oposto de tudo o que me faria bem, te esquecer foi, antes de tudo, um ato de sobrevivência e não de coragem. Era você ou eu, não dava pra coexistirmos na mesma frase, o nosso nós tinha ficado no meio do caminho e seguir adiante dependia da minha escolha. De todas as alternativas que eu tinha, decidi ser feliz, pra isso foi preciso te deixar pra trás. Sinto muito, mas já não sinto mais nada.

2 comentários:

  1. Você é incrível, porque muitos escrevem mas você torna as palavras reais, você ajuda? Ouve histórias também?

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  2. Gaby querida, está aqui um texto inspirado em suas postagens.

    Hoje, decidi tirar você de dentro de mim, e que dor... Apagar nossos fotos, nossas lembranÇas e sorrisos, nossa quem diria que o pra "sempre" já acabou... Tudo bem, sei que como a chuva que molha a minha janela e escorre o vidro é não né deixa enxergar nada amanha vira o sol, secará o vidro é poderia olhar através dele. Tudo bem, eu aceito que não vamos casar, mais sabe, tenho saudade do futuro que não tivemos, dos vários filmes que não assistir, dos filhos que comigo não terá, e da nossa casa que não tem passou de uma rascunho no papel.
    Eu aceito essa dor hoje. Para amanhã tudo isso passar e eu serei feliz sem você, e quando né encontrar saiba que já terá outro alguém no seu lugar.

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.