Nova Perspectiva

2 de setembro de 2015

Vem cá, menina

Via reprodução
Menina, pausa um pouco essa vida e senta aqui que a gente tá precisando conversar. Cê sabe que o assunto é chato, a conversa é longa e vai doer, então esquenta um café pra deixar isso tudo mais leve. Pega uma água também, e o lenço. Prometo que vou devagar. Eu sei que esse romantismo excessivo é parte de você, quase uma extensão do seu coração que vai até o cérebro e impregna a sua vida como se fosse veneno, tudo culpa de tanto contos de fada, filmes da Disney e desse teu ascendente em Áries que não deixa o seu pé alcançar o chão. E tudo bem, sério, não tem problema em sonhar com o cara certo, você pode esperar o príncipe encantado no cavalo branco e até casar com vestido de princesa, só não pode passar o resto dos seus dias acreditando que a sua vida é um roteiro hollywoodiano de comédia romântica, no qual a mocinha consegue transformar o bad boy em bom rapaz. Entende? Você não vai fazer ele te amar. Peguei pesado? Desculpa.

É que é patético te ver chorando por aí como se o mundo estivesse acabando. Não tá e nem vai acabar. Pior ainda, é ver essa gente te olhando com pena enquanto você ensaia desculpas pra perdoar os erros dele. Cê fica em casa procurando indiretas, caçando sinais, inventando situações, tudo pra se enganar que ainda vai dar certo. Mas não vai não, menina. E eu sei que dá uma raiva danada ouvir isso, entretanto eu preciso te dizer. Alguém precisa fazer você acordar.

Toma um gole d’água que eu ainda não acabei.

Ele não vai voltar, porque ele não quer voltar. Simples assim. Quem quer ficar com a gente não vai embora, entende? Só fica. Ele não quis. Ele nunca quis. Você foi uma diversão que podia ter dado certo, mas não deu. Ok. Eu sei que é difícil encarar a verdade, eu sei que dói um bocado olhar pra trás e perceber que nada daquilo foi de verdade. Ele disse que te amava e que queria ter uma vida ao seu lado, tinha um discurso bonito na ponta da língua pra te convencer de que era o cara certo. Garanhão daquele jeito foi fácil te dominar. Que atire a primeira pedra quem não acreditaria naqueles olhos verdes transbordando sinceridade. Eu entendo que você tenha caído igual um patinho no jogo do moço bonito, mas querer continuar jogando sozinha é doença. Você tá doente, entende? Tá doente de amar errado. Ou amar o errado, sei lá. E tá criando motivos pra continuar acreditando nessa história. Já to acabando, não levanta ainda não.

Colocar o dedo na ferida arde, mas cura. Fingir que ela não existe só faz com que ela aumente. Então presta bastante atenção agora. Quando ele disse que precisava de um tempo e que ia dormir na casa de um amigo, era mentira, ele foi pra balada descontar as brigas de vocês em outros beijos. Ele não precisa de um tempo. Ele não quer você. Quando você ligou vinte vezes seguidas e caiu direto na caixa postal, a bateria não tinha acabado como ele disse, ele tava com outra no quarto de um motel falando besteira. Você não é a única. Nunca foi. Tinha a Maria, a Lucia, a Camila. Tinham tantas que eu até duvido que ele conheça todas. Quando ele te promete que vai pensar em vocês, que vai arrumar a vida dele e depois volta, é da boca pra fora. A vida dele já tá ótima, é só mais um jeito de te manter afastada por um tempo. Porque ele sabe que você ainda vai voltar, e ele já tá bolando uma nova mentira pra te jogar no final da fila das que ele enrola, por pena ou por ego, eu já não sei. Você que sabe se continua esperando ou se vai ser feliz.

Agora, termina o café e pode dar play. Vê se para de chorar.

Um comentário:

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.