Nova Perspectiva

28 de agosto de 2015

NA RODA: Coisas que estragam um relacionamento


O NA RODA estréia hoje com um grupo sensacional de blogueiros, mas, antes de falar dos meus colegas escritores, quero apresentar a nova categoria do Nova Perspectiva pra vocês.
A ideia nasceu da minha vontade desmedida de trazer um pouquinho de comportamento aqui pro blog e de uni-lo de forma mais íntima ao canal no YouTube, quem assiste meus vídeos sabe que por lá tem uma categoria chama "Miga, senta aqui", no qual eu faço monólogos com temas ligados à relacionamento, comportamento e o que me der na telha, como eu já falo muito, resolvi convidar uma galera pra tagarelar comigo, joguei NA RODA o tema "coisas que estragam um relacionamento" e tivemos uma baita discussão bacana sobre o tema, a conversa vocês podem acompanhar na íntegra, bora lá?

Conheça a equipe fixa da roda: aqui

- Garçom, traz mais uma.
Gabriela Freitas - Eu citaria fácil uma lista imensa de coisas que podem "cansar" uma relação, mas vou começar lançando NA RODA a que eu considero a pior de todas: o individualismo. Cara, tem gente que não entende que o lance de namorar/ter um compromisso é saber ceder de vez em quando, e isso é foda, se você tá com alguém pre-ci-sa saber que nem sempre as coisas vão ser do jeito que tu tá afim, porque o jogo é saber dividir, saca? É aquele lance de "um dia a gente come no meu restaurante e no outro comemos no seu". Uma hora um lado faz um sacrifício e na outra o outro é quem faz. Quando se tem um compromisso não podemos pensar mais só na gente.
Mariana Araújo - Olha, eu acho que o cansa o relacionamento não é só o individualismo (porque na minha cabeça relacionamento é aceitação, não somos iguais temos que aceitar as diferenças um do outro e crescer um no outro, não sozinhos) enfim!! Acho que o que cansa relacionamento (também), são algumas brigas desnecessárias, não há coisa que eu detesto mais do que briga e isso geralmente me cansa, ainda mais se for briga porque alguém ta com ciúmes, ou porque um não respondeu o outro rápido no whatsapp. E aí me vem outra coisa que cansa relacionamento: essa dependência toda. Sou aquelas a moda antiga mesmo que ok, vamos nos falar por whatsapp, mas eu gosto de sentir aquela saudade, aquela vontade de ver as pessoa no fim de semana porque não a viu a semana inteira sabe? Esse negócio de grude, de ver todo dia, falar todo dia, vir com nhenhe, ME cansa (falei o me em caps porque tem gente que vive assim e ta super bem, tenho uma amiga que é um grude com o namorado dela e vive bem, acho que vai de cada um também né).
Gabriela Freitas - Essa dependência de algumas pessoas me mata também. Sou meio independente demais pra depender de alguém, fico meio bobeada quando me cobram atenção demais, quem gruda é chiclete, to fora!!!
Mariana Araújo - SIM, admiro muito quem consegue viver em um tipo de relação que eu considero grudenta, acho super entediante ficar sendo cobrada de atenção, porque tem dias que nem eu mesma me aguento ou dias que eu nem quero conversar com ninguém hahahaha
Samantha Silvany - Pra mim, o que cansa é o desencaixe de planos. Quando a gente é mais novo tende a pensar que ter gostos em comum, amigos em comum, pensamentos semelhantes etc e tal é o que faz com que alguém se torne compatível. Mas a medida que amadurecemos nos damos conta de que nada disso realmente importa. Preferências sempre irão existir, e é normal que as cultive, afinal, isso não deixa de ser uma questão de personalidade. Mas o idealismo de perfeccionismo que impomos aos outros é absurdo. A única coisa que você precisa é estar com alguém que queira o mesmo que você. Seja viajar pelo mundo, comprar um cachorro, abrir uma empresa, estudar ou jogar na Sena. Tem que haver compatibilidade de interesses porque duas pessoas indo a lugares diferentes não caminham lado a lado. Simples.
Valter Junior - O que acaba estragando os relacionamentos é a fantasia de que tudo será sempre lindo e colorido. Não é assim que funciona! Cria-se expectativas idiotas de que o amor será uma constante. Mas, quer saber, tem dias em que a gente está bem puto para saber de amor. Dia ruim no trabalho, TPM, briga com o amigo, tanto faz. E é nesse dia que o relacionamento começa a ficar broxante. Fantasiar demais não dá certo. Ninguém é feliz o tempo todo. Somos crescidinhos o bastante para saber disso.
Thais B. Verissimo - Além de todas as coisas que vocês falaram, existe o ciúme possessivo e a falta de compreensão. Já fui desse jeito, mas mudei pra caralho e acho que muita gente deveria repensar suas atitudes, tem ciúme que não pode falar com a amiga(o), ciúmes que restringe tipo de roupa e lugares, pra começo de conversa se tem ciúmes possessivo no meio, já começou com o pé errado, na verdade com o corpo todo, porque se você tem um ciúmes doentio por alguém, tem algum problema em você que é preciso verificar, pior ainda é quem aceita o tipo de ciúmes sem perceber, porque usa uma venda que acha ser chamada de amor. A falta de compreensão ta inclusa com o ciúmes e com o que o Valter Junior falou, você fica idealizando uma pessoa e quando ela não corresponde você acaba não entendendo que ninguém nunca vai se encaixar no que você quer, daí então um namoro que deveria ser "nós dois juntos" se torna um "eu e você". Outra coisa que incomoda demais é o fato de em alguns relacionamentos sempre tem aquela pessoa que abre mão de toda a sua vida pelo outro, cara, vocês têm noção da gravidade disso? Isso é muito sério, antes de ter alguém você já tinha uma vida, isso pra mim se resume na falta de muita coisa pessoal na vida da pessoa, um relacionamento é pra dividir a sua vida com o outro e não pegar uma vida e dividir em dois, tenha dó né, ninguém tem que viver a vida DO outro e sim COM o outro. Sempre defenderei a tese: tenha uma vida sozinho antes de querer dividir ela com alguém.
Gabriela Freitas - Isso é verdade. É aquela coisa, uma coisa é ceder um pouco aqui, um pouco lá, outra é abrir mão de suas vontades por alguém. Amor assim é unilateral demais pra ser amor. Concordo com o Valter, também, a gente não pode idealizar no outro aquilo que gostaríamos de ser, ou quem queríamos nos relacionar. Indivíduos são diferentes, como a Sa disse, e essa é a graça, o segredo é não se apaixonar por alguém que quer viajar o mundo se você sonha em ter uma vida mais tradicional. A tendência de dar merda é menor.
Ju Umbelino - A insegurança fode qualquer tipo de relacionamento. Seja ela de um lado ou de ambos. Aquela desconfiança besta, aquela auto estima baixa que te faz pensar que não merece tanto assim o outro. Além da insegurança, ciúmes. Quem ama, cuida, não fica possessivo e achando que o parceiro vai trair na primeira oportunidade que surgir.
Valter Junior - Outra coisa: as pessoas confundem amor com carência e isso fode o relacionamento. Já ouvi muitas mulheres dizendo coisas do tipo "só me sinto completa com ele". Relacionamentos só prosperam quando você entra com 100% e o parceiro com 100%. No máximo as pessoas compartilham os seus gostos, experiências e manias. Ninguém completa ninguém. É por pensar assim, como se o outro fosse essencial, que os relacionamentos acabam murchando. No fundo isso nem é amor, é carência.
Maria Fernanda Probst - Nada estraga mais um relacionamento do que excesso de INTIMIDADE. Sério. Gente individualista é melhor do que gente que abusa da intimidade. Quando começamos um relacionamento e estamos iniciando a paquera, tudo é novidade e há envolvimento de ambas as partes em manter a magia da coisa... A gente tenta ficar bonito tempo todo e cuida com sons e cheiros indevidos e situações embaraçosas. Se é aberto espaço para excesso de intimidade e a gente conhece — literalmente — tudo da pessoa, perde-se um pouco o glamour e o tesão pelo relacionamento. Sempre disse que para manter um relacionamento saudável, é necessário manter um hiato considerável entre a intimidade de duas pessoas.
Gabriela Freitas - Aí eu discordo em partes, Fe; acho que dá, pelo menos empate. Tem que ser um meio termo, tudo bem dividir a vida, afinal, é uma relação, mas sem essa de viver da vida do outro, mas também não dá para ficar com alguém que nunca fica com você ahahaha
Thais B. Verissimo - Eu acredito que a base de tudo é a admiração, se existe admiração de ambas as partes tudo flui bem. E o principal, quando começamos a namorar não significa que deixamos de existir, então você cuidar de você mesmo e ter carinho e admiração pelo outro é demais e todo mundo fica feliz.
Celio Heitor - É esquecer que relacionamentos são orgânicos. Isso, perecíveis. Deixe qualquer alimento descoberto, não resfriado. Não cuide dele ou esqueça na dispensa, e você logo entenderá que coisas estragam. As pessoas tratam relacionamentos como eternos, não perenes. E esse é o erro. Não cuidam, não mantém, não o protegem. Elas se abraçam na ideia de ter um relacionamento, mas esquecem que elas não o tem, de fato. Não existe posse. Elas simplesmente estão nele, e isso pode mudar a qualquer momento. Então, o que estraga o relacionamento é não o conhecer, não entendê-lo, é banalizá-lo. E tratar algo que por definição não é eterno como se fosse, gera de duas uma: ou você estraga ou desperdiça.
Maria Fernanda Probst - Acho que eu interpreto “individualismo” de uma forma diferente de vocês. Na minha concepção, um casal “individualista” é aquele que, apesar de estarem juntos, cada um é cada um. Por exemplo, meu marido não é nem um pouco fã de teatro. Não vê graça, não se anima em ir, mas respeita que eu gosto. Como sei que não ele não gosta, não cobro muito que vá comigo. Como ele sabe que eu gosto, ele não liga que eu vá com outras companhias. Às vezes abrimos exceção, e tudo bem também.
Thais B. Verissimo - Namoro ótimo Maria.
Maria Fernanda Probst - Casamento, Thaís.
Thais B. Verissimo - Ainda assim, ótimo kkkk
Jessica Delalana - Eu acho que o que mais estraga um relacionamento é a acomodação... É achar que porque você já conquistou a pessoa, não é preciso fazer quase nada para manter e melhorar a relação. Agem como se o amor, por si só, sustentasse qualquer relacionamento. No início do namoro, é normal que a maioria faça tudo da maneira mais 'perfeita' possível. Depois, com o passar dos anos, as imperfeições vão surgindo e o 'segredo' é não apenas aceitar que a relação e o sentimento se transformam como também trabalhar para que o que foi construído permaneça em pé. Os namorados precisam entender que as pessoas amadurecem com o tempo, que os interesses mudam, que a paixão diminui e que a rotina vem pra todo mundo. Porém, os casais que aceitam isso e tentam juntos achar motivos para continuar e melhorar nas pequenas coisas do cotidiano se diferenciam dos demais e têm grandes chances, sim, de ter um amor pra vida toda.
Thais B. Verissimo - Acomodação. É como eu falei da admiração, quando não existe acomodação vc admira o outro por sempre estar buscando o melhor.
Maria Fernanda Probst - Acomodar é foda mesmo. Thaís, nunca consigo entender uma ironia. Esse teu "ótimo" foi uma delas?
Thais B. Verissimo - Não kkkkk eu achei ótimo mesmo. Essa de sair e n exigir que o outro "cole" em vc é maravilhoso
Maria Fernanda Probst - Cara, ainda sobre a acomodação... Dá aquela sensação de tanto faz como tanto fez. É isso é deprimente.
Jessica Delalana - Eu acho que o que a Gabi quis dizer com 'individualismo' é esse egoísmo que a gente vê tanto por aí... A pessoa que, em um namoro, não aceita o diferente e não experimenta coisas novas, só pensa nela e esquece do outro. Como uma relação à dois pode sobreviver se as duas pessoas só estão preocupadas com elas próprias? Concordo. Agora a 'individualidade' que a Fer falou, isso de cada um ter sua vida fora da relação é essencial pra qualquer relacionamento longo e saudável mesmo, com certeza. O certo é o equilíbrio, né?! Não esquecer do outro, mas também lembrar sempre de você.
Gabriela Freitas - É isso que a Jess disse, Fe, individualismo no sentido de não ceder, de não abrir mão de nada pelo outro, de querer que tudo seja só do seu jeito e ponto final. No amor a gente cede um pouco aqui pro outro ceder um pouco lá e conseguirmos um meio termo bacana para os dois.
Maria Fernanda Probst - entendi o 'individualismo' de vocês, meninas. Desse jeito não tem como ser
Gabriela Freitas - Celião, meu caro, esse lance de banalizar o relacionamento me deixa nos nervos. Se não quer, cai fora!! Não vem tratando como se fosse pouca coisa, fico pê da vida. A gente precisa estudar o que vive e vivê-lo intensamente. Acho que eu não usei a melhor expressão, Fe, mas concordo 100% com o lance de terem vidas individuais, cada um sair com seus amigos, ir onde quer, sem depender do outro pra tudo!!
Maria Fernanda Probst - Esse individualismo que a gente só olha pra si é quase um egoísmo né?
Gabriela Freitas - Sim!! É um estrago fatal numa história de amor
Maria Fernanda Probst - demais. vira um relacionamento de uma pessoa só.
Ju Umbelino - Então, o que estraga relacionamento é a falta de comunicação. É aquela festa em que ficou além do combinado, é o evento em família que esqueceu de falar para o outro, é a falta de dizer "ei, isso é importante pra mim" ou "isso me magoa pra caralho". Falta de comunicação fode o role. E é quase um câncer, porque se acumula.... vish a casa cai. E AH GENTE. Falta de tesão. Quando alguém da relação perde o interesse e o sexo fica super mecânico, não dá. Nem tem como, só com muito amor e compreensão envolvidos.
Jessica Delalana - Mas eu penso que o tesão acaba justamente por todos os outros motivos citados, além de outros. Se a relação não está bem, impossível o sexo ser maravilhoso por muito tempo. Acho que depois de vários anos é ilusão também pensar que o sexo vai ser igual quando se conheceram. Aí que está o desafio, né?!
Gabriela Freitas - Concordo, tesão acaba quando o amor (em qualquer uma de suas formas) acaba. É o fim na linha, acho terrível olhar pro parceiro e não conseguir sentir nem isso.
Alysson Augusto - Falar sobre relacionamentos, no fundo, é um troço muito complicado. Não porque sejamos uns bichos de sete cabeças ou porque ninguém é educado para aprender a de relacionar. Com tempo, dedicação e experiência adquirimos certa sabedoria pra lidar com essas questões em nossas vidas. Eu digo que é complicado porque, no fundo, nós não temos um real interesse em entender, de fato, o que acontece com a gente, sequer com os outros. No fundo, gostamos de fantasiar, de cultivar expectativas e impor alguns ideais de vida a dois (ou a três ou a quatro - aí é você quem decide). Sempre é mais interessante projetar no outro o que parece perfeito pra gente, só que o que acontece na mente não é o que acontece na realidade - é o velho problema entre conciliar teoria e prática. Além disso, também vejo como uma questão de topar o sofrimento. Quero dizer, é normal que procuremos viver com pessoas que tenham a ver conosco, que tenham afinidade de interesses e topem curtir a vida ao nosso lado, sem precedentes. Mas não é sequer cogitado como possibilidade que, ao fim das contas, só saberemos aproveitar real e intensamente um relacionamento, de todas as formas possíveis, se soubermos e estivermos cientes de que o amor não acontece apenas na alegria, mas também na tristeza. Uma pessoa que ama inteiramente, portanto, ama não só as qualidades como também os defeitos, não só as soluções como também os problemas. Um relacionamento saudável acolhe as imperfeições, pois também a ama. É uma questão de optarmos pela pessoa com quem vale sofrer ao lado.

Com isso a gente termina, alguém traz a saideira?

O que vocês acharam do NA RODA? Quais coisas acrescentariam ao debate? Querem mais postagem assim? Deixem aqui nos comentários e não esqueçam de curtir o post :)

Um comentário:

  1. Gostei de participar da discussão, Gabs. Essa conversa de bar foi ótima! Esperando a próxima. Com cerveja gelada, por favor.


    Beijos

    ResponderExcluir

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.