Nova Perspectiva

18 de agosto de 2015

Deixa eu falar, mesmo que você não me escute

Via reprodução
Oi, tudo bem?

Sou eu de novo, desculpa por estar te ligando mais uma vez. Desculpa porque a gente prometeu ficar um tempo sem se falar e eu não consigo fazer isso direito. Desculpa se já tá tarde, tanto no tempo que marca o relógio da sala, quanto pro do nosso amor. Agora você deve estar dormindo e provavelmente nem ouviu o celular tocar, eu sei que você não vai ver essa mensagem hoje, mas não tem problema, amanhã cê olha e sorri de rabo de olho fingindo que não fez nenhuma diferença. Na verdade eu sei que sempre faz.

Se eu fechar os olhos posso te ver, o lençol cobre só metade do seu corpo, assim não esquenta muito, mas também não esfria demais, como cê mesmo dizia. A luz do abajur, que fica na escrivaninha do lado esquerdo, ilumina parte da sua pele morena à mostra, posso afirmar com convicção que seu peito está despido, você nunca gostou de nada grudando em você na hora de dormir, só de mim. Seu rosto denuncia o cansaço de quem trabalhou o dia todo sem tirar o sorriso dos lábios, você tem essa mania de levar a vida com bom humor até quando as coisas andam difíceis, era essa uma das coisas que eu mais gostava em você. Gostava, também, do modo como você me olhava, misturando amor, carinho e tesão. Gostava do jeito como suas mãos deslizavam pelo meu corpo e quase nunca ficavam só nas minhas coxas. Você sempre me teve fácil, eu sempre te quis fácil, mas a nossa relação fazia questão de ser o oposto. Foi difícil, eu sei, suportar as brigas, os gritos, a raiva. Foi difícil ir embora e voltar tantas e tantas vezes, foi difícil dizer adeus, tá sendo, ainda.

Desculpa lotar tua caixa postal com coisas que eu nem tenho certeza se devo dizer. Desculpa, mesmo, mas é que eu preciso confessar pela milésima vez que to com saudades. Confessar que, porra, eu não to sabendo lidar com essa falta de você, do teu corpo e da gente. Tem um pouco da sua ausência em tudo que me cerca e eu não sei o que fazer com o teu travesseiro vazio aqui do meu lado. Não sei o que fazer com essa agonia que sufoca aqui dentro e me tira a paz. Não sei o que fazer com essa insônia e a falta do teu cafuné. Não sei, sabe? Era você que sempre sabia das coisas e agora eu não to conseguindo saber mais de nada. Tá tudo tão confuso e eu fico um pouco perdida na imensidão do vácuo da sua voz. E eu sei que você também se sente assim, eu sei, sem sombra de dúvidas, que de alguma maneira eu também sou o teu último pensamento do dia e não entendo, sabe? Não entendo porquê tem de ser assim, não entendo porque eu preciso tragar um ponto que a gente nunca quis que fosse final.

Desculpa encher teu saco e agitar esse mar mesmo com você pedindo por um pouco de calmaria, não dá, não posso e não quero entregar as rédeas, que embora nunca tenham estado muito em nosso controle, sempre nos mantiveram unidos. Desculpa por acreditar que ainda pode ser, se a gente quiser, e que eu quero, muito. Desculpa por te lembrar que a gente prometeu que era pra sempre e que eu não abro mão de que seja, porque, no fundo, você ainda não abriu também. Desculpa não ter deixado de te amar, de te desejar, de te esperar. Desculpa pela audácia de dizer que você pode até falar que está melhor assim, mas que eu sei que os seus olhos andam implorando pra cruzar com os meus em cada esquina que passa. Desculpa por não engolir esse papo de que alguns amores não foram feitos pra ser, porque o nosso foi, e eu só engulo isso. Então engole também. Engole que eu posso te pedir mil desculpas, mas sempre vou arranjar mais uma pra te ligar até você entender que pode me ligar também, eu sei que você quer, eu sei porque você postou a nossa música e um pedaço do meu texto favorito e o seu melhor amigo andou dizendo que cê chorou olhando uma foto nossa. Eu sei porque você foi naquele evento que eu confirmei sem nunca ter gostado de eventos assim. Eu sei e você sabe, também. Então me liga, porque eu não vou parar de falar, mesmo que você não me escute, até cê entender que o nosso amor já é pra ser.

Pipipi...

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"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." — Antoine de Saint-Exupéry — Cative-me.